09:52 15 Dezembro 2017
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    Cidadãos norte-coreanos estão assistindo uma transmissão de lançamento de míssil balístico pelo TV

    Político sul-coreano quer 'inundar' Coreia do Norte com informações para derrubar regime

    © AP Photo/ Ahn Young-joon
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    Um parlamentar da Coreia do Sul afirma ter um plano infalível para obter o fim do regime comunista de Kim Jong-un e, consequentemente, a desnuclearização da península: ‘inundar’ a população norte-coreana com informação.

    Essa é a sugestão que o parlamentar Ha Tae-keung, da minoria oposicionista do Partido Bareun, que promete protocolar a proposta no Parlamento sul-coreano. De acordo com ele, informar e esclarecer a população da Coreia do Norte é a forma mais efetiva contra Kim.

    “Se informação do exterior fosse efetivamente distribuída para o país isolado, acredito que o problema nuclear não existiria agora”, afirmou Ha, um ex-ativista dos direitos humanos, em entrevista ao jornal sul-coreano Korea Times.

    “Devemos levar uma mensagem clara às pessoas que podem assistir aos canais sul-coreanos e acessar à internet, aquelas que podem iniciar uma revolta contra o regime”, continuou o parlamentar, que diz ter o apoio de outros 10 colegas do Legislativo local.

    O anúncio da proposta, feita em um fórum em Seul, agradou outros presentes, como o acadêmico Kang Dong-wan, da Universidade de Dong-a. Para ele, o acesso a filmes e programas sul-coreanos poderia levar os norte-coreanos a “descobrirem os seus direitos”.

    “Isso seria o gatilho para a insatisfação com o regime totalitário. Precisamos de uma estratégia para ganhar os corações norte-coreanos por meio do ‘poder brando’, ao invés das pressões políticas, econômicas ou militares”, emendou.

    Desertores apoiam ideia

    Embora soe pretensiosa, a proposta também foi aprovada por um desertor norte-coreano que hoje viva na Coreia do Sul. De acordo com Kim Hyung-soo, “até agora, informações externas apenas visavam pessoas comuns”.

    “No Norte, no entanto, funcionários de alto escalão também são oprimidos e podem liderar o movimento pró-democracia, uma vez que eles acordem”, afirmou.

    Para Kim, tais informações externas poderiam até mesmo facilitar o caminho para os que pensam em desertar da Coreia do Norte, mas não possuem conhecimentos suficientes para tomar tal decisão.

    “Desde que escutei o rádio sul-coreano por seis anos, eu poderia me estabelecer aqui de forma mais confortável do que outros desertores”, revelou.

    A produção de material customizado para a população norte-coreana foi também defendida por Thae Yong-ho, um ex-diplomata da Coreia do Norte que fugiu no país no ano passado.

    “Assisti filmes e dramas sul-coreanos quando eu estava no Norte. Eles estavam entretendo e me fizeram invejar o sistema rico, mas não era eficaz para esclarecer os moradores e deixá-los interessados na democratização”, comentou.

    Além da programação da TV sul-coreana, outras formas de levar tais informações à Coreia do Norte discutidas na proposta envolvem desde o uso de rádios AM, até mesmo a utilização de drones para que pendrives sejam entregues no país vizinho.

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    Tags:
    informação, guerra de informações, política, democracia, diplomacia, Korea Times, Thae Yong-ho, Kim Hyung-soo, Kang Dong-wan, Ha Tae-keung, Kim Jong-un, Península da Coreia, Coreia do Sul, Coreia do Norte
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