13:27 23 Outubro 2017
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    Kim Jong-un observa míssil balístico de longo alcance Hwasong-12.

    É mesmo provável que a Coreia do Norte lance mísseis contra Guam?

    © REUTERS/ KCNA
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    A Coreia do Norte prometeu levar a cabo até o fim de agosto o seu plano de lançar mísseis de médio alcance contra a ilha estadunidense de Guam, no Oceano Pacífico, onde estão localizadas bases militares norte-americanas. Mas o quão temerária é essa ameaça?

    Para especialistas, o fato de Pyongyang subir o tom e falar em um plano detalhado – como fez o general norte-coreano Kim Rak-gyom, comandante das Forças Estratégicas do Exército Popular da Coreia, ao prometer o lançamento de quatro mísseis Hwasong-12, que cairiram a 30 ou 40 quilômetros da ilha – trouxe novas dúvidas.

    Estaria o regime de Kim Jong-un disposto a ameaçar um território dos EUA, correndo o risco de uma retaliação? Há controvérsias entre analistas.

    “A Coreia do Norte provavelmente irá avançar com os lançamentos de mísseis, se eles acharem que podem fazê-lo sem riscos”, disse Yang Uk, pesquisador sênior do Fórum de Segurança e Defesa da Coreia do Sul, ao jornal Korea Herald. “A menos que os EUA a descrevam como uma declaração de guerra, não há motivo para não disparar os mísseis”.

    Ainda de acordo com Yang, é provável que tal lançamento norte-coreano venha a gerar “severas contramedidas” dos EUA, como o lançamento de mísseis de interceptação, com o uso do sistema de defesa antiaérea THAAD e de mísseis SM-3. Além disso, um ataque preventivo norte-americano também não poderia ser desconsiderado.

    Outro a concordar com esse ponto de vista é Kim Dong-yup, especialista e professor no Instituto Far East da Universidade de Kyungnam. Para ele, a Coreia do Norte não teria anunciado os lançamentos se não estivesse pronta para uma resposta dos EUA.

    Vale o risco?

    Entretanto, a possibilidade do lançamento de mísseis em direção a Guam significaria, segundo analistas, em um ato de provocação de guerra. É o que pensa Hong Hyun-ik, pesquisador senior do Instituto Sejong de Seul. “É mais sobre dissuadir os EUA e seus aliados. Eu não acho que eles correrão o risco de uma guerra total com os EUA”, avaliou.

    Quem também interpreta a questão como uma “mensagem política” é Yang Moo-jin, professor na Universidade de Estudos Norte-Coreanos. A meta do anúncio dos lançamentos contra Guam seria, em última análise, uma tentativa de obter mais informações sobre uma possível abertura de negociações com a Casa Branca.

    Há ainda aqueles que duvidam até mesmo da capacidade da Coreia do Norte em lançar mísseis que possam chegar até Guam. A distância entre o país asiático e a ilha é de 3.400 quilômetros, e no seu anúncio Pyongyang disse que seus quatro mísseis voarão por 3.356,7 quilômetros. Especialistas duvidam que o país possua tecnologia para tal precisão.

    “A Coreia do Norte provavelmente fez alguns avanços necessários para definir essas condições extremas durante os dois testes de julho [de mísseis balísticos intercontinentais], mas não consigo imaginar que tenha aprendido o suficiente para fazer com confiança uma ogiva pequena, leve e suficientemente robusta para durar”, comentou o especialista nuclear norte-americano Siegfried Hecker.

    Mas os EUA são obrigados a retaliar? Na visão de Shin In-gyun, presidente da Rede de Defesa da Coreia do Sul, afirmou que não. Segundo ele, os norte-americanos teriam dificuldade de abater qualquer míssil norte-coreano e responder militarmente.

    Shin destacou ainda que Pyongyang só quebraria a soberania territorial em Guam se os mísseis caíssem dentro de uma área de 22 quilômetros, o que não está previsto a acontecer – o regime afirmou que o armamento deve cair no oceano em uma distância entre 30 a 40 quilômetros da costa da ilha.

    “É um plano tão delicado. Se a Coreia do Norte realmente disparar os mísseis, eles voariam pelo território japonês e aterrissariam em águas internacionais perto da ilha dos EUA. É como perguntar aos EUA e ao Japão: ‘O que vocês vão fazer?’”, concluiu.

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    Tags:
    testes balísticos, Hwasong-12, segurança, defesa, guerra nuclear, guerra, Kim Rak-gyom, Shin In-gyun, Yang Moo-jin, Siegfried S. Hecker, Hong Hyun-ik, Yang Uk, Kim Jong-un, Donald Trump, Japão, Guam, Estados Unidos, Coreia do Norte
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