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    Desfile militar na China, 30 de julho de 2017

    Reforma militar chinesa foi demonstrada no deserto

    © AP Photo / Pang Xinglei/Xinhua
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    No domingo (30), a China realizou um desfile militar na base de Zhurihe em comemoração do Dia do Exército. O vice-diretor do Instituto de Assuntos Asiáticos e Africanos da Universidade Estatal de Moscou, Andrei Karneev, comentou o desfile e o seu papel na política atual da China.

    A China mostrou pela primeira vez novos tipos de armas em seu desfile militar no domingo, realizado na base militar de Zhurihe, na região autônoma da Mongólia Interior no norte da China. O desfile marcou o 90º aniversário da fundação do Exército de Libertação do Povo (PLA). Pela primeira vez na história, o desfile em comemoração ao Dia do Exército foi realizado, não em Pequim, mas em uma base militar para mais uma vez sublinhar os objetivos estratégicos da modernização das forças armadas, explicou Andrei Karneev à Sputnik China.

    Segundo o especialista, o desfile militar em comemoração do 90º aniversário da fundação do PLA, tendo em consideração que os 70º e 80º aniversários não foram acompanhados por desfiles, refletiu mudanças significativas nas forças armadas chinesas. É de assinalar que o desfile foi realizado na base militar de Zhurihe, um "desfile no deserto" e não na capital do país.

    "Foi uma decisão cuidadosamente ponderada, porque as forças armadas chinesas estão atravessando a reforma mais radical na sua história", disse Karneev. O seu objetivo é aumentar a capacidade de combate tanto através de reformas institucionais e de armamento e equipamento mais modernos, como através da ampla utilização dos métodos de guerra de informação, sublinhou ele.

    De acordo com Karneev, entre outros símbolos políticos, os desfiles militais têm um lugar especial. Na China moderna é um evento muito raro: desde 1960 e até à chegada ao poder de Xi Jinping foram realizados apenas três desfiles (em 1984, 1999 e 2009). Mais do que isso, todos estes desfiles foram realizados no Dia da Educação. Segundo o plano, o próximo desfile deverá ser realizado em 1 de outubro de 2019, no dia do 70º aniversário da fundação da República Popular da China. Entretanto, no ano passado foi realizado mais um desfile em homenagem à vitória na guerra sino-japonesa, que foi uma parte da Segunda Guerra Mundial. "Mais um desfile este ano sugere que os rituais políticos chineses se tornaram mais flexíveis e estão atravessando mudanças significativas. Todos os que assistiram ao desfile em Zhurihe, reconhecem isso", explica o especialista.

    O rumo político do governo atual está baseado na ideia de um "grande renascimento da nação chinesa", ou seja, foi proclamado como objetivo a criação de um Estado poderoso que possa ocupar um lugar importante na cena internacional. Parte importante de um Estado forte é um exército forte, o que Xi Jinping têm sublinhado nos últimos cinco anos, acrescentou Karneev.

    "Nas vésperas do 90º aniversário da fundação do PLA, para fortalecer a sua posição política no ano do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, ele [Xi Jinping] preferiu inspecionar pessoalmente a modernização do Exército de Libertação do Povo visitando os militares", disse Karneev. Durante o seu discurso em Zhurihe, Xi Jinping sublinhou que mais do que nunca a China precisa de formar forças armadas fortes para defender a soberania e os interesses do país. Ele também falou sobre a necessidade de liderança absoluta do partido sobre o exército. A participação de Xi Jinping no desfile sublinha o papel importante do atual presidente na governança política e militar, comentou Karneev.

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    Tags:
    defesa, soberania, forças armadas, exército, desfile militar, Exército de Libertação do Povo, Xi Jinping, China
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