06:03 19 Agosto 2017
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    Trabalhadores norte-coreanos constroem uma fábrica no Complexo Industrial de Kaesong, ao norte da fronteira coreana, a Coreia do Norte (foto de arquivo)

    Embaixada norte-coreana em Pequim está construindo nova instalação misteriosa

    © AP Photo/ Ahn Young-joon, POOL
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    No recinto da embaixada da Coreia do Norte em Pequim está sendo construído um novo edifício, com objetivos ainda desconhecidos.

    Alguns suspeitam que o edifício pode estar sendo construído para fins comerciais, contornando as resoluções da ONU, que a China também subscreveu.

    O site de notícias e análise norte-coreano NK News, baseado nos EUA, informou que a embaixada da Coreia do Norte em Pequim "está supostamente construindo dentro de seu complexo novos alojamentos para os norte-coreanos que visitam a China. Ainda não está claro se este será destinado a fins comerciais ou não."

    De acordo com o NK News, que cita fontes anônimas, o novo prédio "é destinado aos norte-coreanos que ficam em Pequim por algum tempo, como altos funcionários e delegados diplomáticos."

    No entanto, o edifício também pode servir de instalação comercial para estrangeiros que queiram conhecer a cultura norte-coreana. Algumas embaixadas da Coreia do Norte na Europa, por exemplo, na Bulgária, Alemanha, Polônia e Romênia, já dispõem de tais estabelecimentos.

    Ao redor da embaixada em Pequim estão aparecendo empresas pertencentes à Coreia do Norte, uma zona já chamada de "pequena Pyongyang", com lojas de produtos e artesanato nacional.

    Em novembro de 2016, a ONU adotou a resolução 2321, que proíbe quaisquer atividades comerciais nas embaixadas norte-coreanas. A medida foi tomada para punir Pyongyang por uma série de testes nucleares em setembro daquele ano — uma série que, passados 10 meses, não parece vir a terminar.

    Por exemplo, a embaixada da Coreia do Norte em Varsóvia arrenda um edifício no território da embaixada a um estúdio de produção musical polonês. Esta é uma violação da resolução da ONU, mas a Europa não se apressa a punir as empresas cujo único crime é arrendar espaços que pertencem a Kim Jong-un.

    "É muito fácil falar sobre mais sanções, mas a realidade é que, quanto se tenta pô-las em prática, cada país têm as suas prioridades", disse para a Bloomberg Brian Bridges, professor adjunto de política asiática da Universidade de Lingnan, em Hong Kong. "Quando você fica a milhares de quilômetros e a Coreia do Norte não representa uma ameaça direta, esta será uma baixa prioridade."

    Além disso, causa preocupações o fato de a Polônia ser um dos poucos países que continuam mantendo relações oficiais com o "Reino Eremita".

    Isto se tornou uma das razões de disputa entre a Polônia e os EUA, já que estes últimos lideram as ações anti-Pyongyang. "Qualquer país que receba trabalhadores convidados norte-coreanos, ofereça benefícios econômicos ou militares, ou não cumpra completamente as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, está apoiando e incentivando um regime perigoso", disse o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson em 4 de julho.

    A Administração de Donald Trump tem frequentemente apelado à China para que esta exerça pressão diplomática e econômica sobre a Coreia do Norte para acabar com seus testes de mísseis. Os métodos ainda não foram muito bem-sucedidos e o empenho da China na cooperação com os EUA neste assunto tem sido posto em questão.

    Na quarta-feira (12), a Coreia do Norte afirmou ter planos de abrir uma agência de viagens na cidade chinesa de Hunchun com gerentes chineses e guias norte-coreanos.

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    Tags:
    resoluções, violação, segredo, instalação, ONU, Conselho de Segurança da ONU, China, Coreia do Norte
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