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    Aviação chinesa participa da parada militar em comemoração de 70 aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, Pequim, China, 3 de setembro de 2015

    Espaço para manobra: China aumenta seus interesses geopolíticos na Síria

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    A China pretende investir 2 bilhões de dólares na criação de um parque industrial na Síria, onde inicialmente vão ser instaladas 150 empresas chinesas, comunicou o chefe da Associação de Intercâmbio Mútuo árabe-chinesa Qin Yong.

    O projeto está sendo discutido pelo governo da Síria e pela embaixada do país na China. No mesmo dia, o embaixador da Síria na China reafirmou que a China, a Rússia e o Irã vão ter prioridade na realização de projetos econômicos na Síria.

    A realização da mostra de potencialidades na área de investimento para as empresas chinesas na Síria é um passo sério na demarcação de interesses da China no país. É possível que seja formado um grupo das primeiras empresas que vão estar representadas no território do parque industrial sírio-chinês.

    Entretanto, o parque deve se tornar um dos centros da realização da iniciativa chinesa de criação da Rota da Seda, o que significa que o parque pode ser criado na área costeira do mar Mediterrâneo, onde há 2 anos a China marcou a sua presença realizando exercícios navais com a Rússia.

    Ontem, apareceu a informação de que a China pretende alugar aeronaves e navios para suas iniciativas futuras. Foi criada a comissão especial que vai prestar ajuda no domínio jurídico para a realização destes projetos.

    O documento jurídico correspondente foi assinado em 4 de julho em Pequim. O documento se tornou mais uma evidência da séria intenção da China de estimular seus negócios na Síria.

    "A questão mais importante para a Síria é acabar a guerra e resolver o problema da oposição armada e, na segunda fase, reconstruir a infraestrutura. Acho que é cedo para discutir a criação do parque industrial. A Síria está numa situação em que tudo tem de ser reconstruído […] Por isso, não é fácil para mim estimar os riscos para o capital chinês ligados ao projeto de criação do parque industrial sírio-chinês", acrescentou à Sputnik China o analista do Centro da Economia Mundial do Instituto de Problemas Internacionais Chinês Chen Fengying.

    O analista russo do Instituto de Estudos Estratégicos Ajdar Kurtov também afirma que é cedo para discutir os riscos dos investimentos na Síria.

    "A reconstrução da Síria está, antes de tudo, relacionada com os investimentos na infraestrutura, sem a qual a atividade econômica não será possível, e só em segundo lugar com a criação de negócios frutíferos. Por isso, agora não se deve falar da questão dos riscos sérios", acrescentou Ajdar Kurtov à Sputnik China, acrescentando que muito vai depender do desenvolvimento do processo político.

    De acordo com o analista político russo Vladimir Evseev, a China viu a possibilidade de regulação pacífica do conflito e se juntou a este processo de regulação.

    "A China não quer ficar de fora, ela quer participar como um dos jogadores importantes na regulação do conflito sírio, por isso está dando tais passos […] A China está participando mais ativamente na regulação do problema sírio para garantir condições favoráveis para os negócios", informou Vladimir Evseev.

    Ele acrescentou também que, antes da crise, a China controlava uma grande parte do setor de petróleo e gás sírio e tinha investido dezenas de bilhões de dólares nesse domínio.

    A China manifestou sua intenção de participar na regulação da questão síria já no ano passado, nomeando pela primeira vez um representante especial para as questões da Síria. Xi Jinping anunciou a alocação de 29,2 milhões de dólares como ajuda aos refugiados sírios.

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    Tags:
    papel, regulação, interesse, presença, riscos, investimento, projeto, negócio, guerra, economia, Síria, China
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