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    Porta-aviões Liaoning perto do porto de Hong Kong, China, 7 de julho de 2017

    Opinião: Forças Armadas chinesas tentam expulsar EUA de águas internacionais

    © AP Photo / Kin Cheung
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    Na véspera da reunião entre Donald Trump e Xi Jinping no G20, a Força Aérea dos EUA e do Japão realizaram manobras conjuntas no mar da China Oriental. O que significa este gesto da parte de Washington, e por que Pequim mantém a calma? O colunista da Sputnik oferece uma explicação.

    O fato de que bombardeiros norte-americanos B-1B sobrevoaram a 8 de julho o mar do Sul da China na zona de territórios disputados foi uma forma de os EUA demonstrarem o seu poder perante a China. Não obstante, Pequim manteve a calma e não comentou o incidente, apesar de ter declarado diversas vezes que as ilhas desta região fazem parte integrante do seu território. Já Washington classifica esta área como um espaço aéreo e marítimo internacional.

    "A tranquilidade manifestada hoje pelo Governo chinês não é algo casual. A Marinha da República Popular da China domina cada vez mais as zonas próximas e distantes dos oceanos, pelo que chegou a hora de o Pentágono se preocupar, mesmo que até há pouco tempo os EUA controlassem com firmeza quase todas as vias marítimas importantes, desprezando a Marinha da China", afirma Khrolenko.

    Liaoning em Hong Kong

    A chegada do porta-aviões chinês Liaoning e de mais três navios de guerra a Hong Kong faz parte das comemorações do aniversário dos 20 anos do restabelecimento da soberania chinesa sobre a ex-colônia britânica.

    "A visita do grupo aeronaval a Hong Kong é basicamente uma continuação lógica das ideias de Xi Jinping: 'Um país, dois sistemas'. As linhas perfeitas do navio persuadem melhor que as palavras sobre a força e o potencial do país", sublinha o colunista russo.

    Liaoning é, de fato, uma versão chinesa modificada do porta-aviões soviético Varyag, da classe Admiral Kuznetsov, comprado por Pequim em 1998. O navio, mais tarde denominado Liaoning, foi totalmente reconstruído e remodelado para treinamentos.

    O segundo navio militar deste tipo, o 001A, foi lançado em 23 de abril, quando a China celebrou o Dia da Marinha e é completamente de produção chinesa.

    China planeja produzir seis novas embarcações de ataque e criar uma série de bases navais militares por todo o mundo.

    Changsha e Yuncheng no mar Báltico

    O novo destróier chinês Changsha, do projeto 052D, junto com a fragata Yuncheng, do projeto 054A, e o navio de apoio Lomahu estão realizando uma campanha naval no mar Báltico, com o objetivo de participar das manobras russo-chinesas Cooperação Marítima 2017.

    Segundo o Ministério da Defesa chinês, as manobras serão realizadas em duas etapas a partir de meados de julho até outubro, no mar Báltico, mar de Okhotsk e mar do Japão (mar do Leste).

    Os dois objetivos principais das manobras no mar Báltico serão o treinamento de operações de resgate conjuntas e a garantia de segurança das atividades comerciais no mundo. No entanto, a revista norte-americana Newsweek afirmou que "nos jogos militares da Rússia e da OTAN na Europa, surgiu um novo jogador: a China". Os manchetes da imprensa europeia também são muito fortes, por exemplo, "China e Rússia lançam desafio para a OTAN no mar Báltico".

    "As publicações afirmam que as manobras no mar Báltico, às portas da Europa, são uma mensagem política para Trump e a NATO: 'a Rússia e a China se apoiam e se defenderão mutuamente'", escreve o colunista.

    A China está aumentando vertiginosamente o seu potencial de defesa, renovando seu parque de navios de guerra e de aviões militares. E embora até há pouco tempo as Forças Armadas dos EUA dominassem na região Ásia-Pacífico, agora, o Pentágono supõe que a China tem a intenção de neutralizar o domínio técnico-militar de Washington.

    "As apostas na região são altas. Através do mar do Sul da China passam os navios que garantem 75% do abastecimento de petróleo da região Ásia-Pacífico, incluindo 40% da demanda da China. O volume anual do 'comércio marítimo' é estimado em 5 bilhões de dólares, dos quais 1,2 bilhões são de operações norte-americanas. Estes números justificam as divergências entre Pequim e Washington, e suas preocupações com a segurança marítima", alerta o especialista.

    O desenvolvimento da Marinha chinesa é uma condição indispensável para garantir o fornecimento de hidrocarbonetos dos países da África do Norte, Oriente Médio, isto é, um fator indispensável para assegurar o crescimento económico do país.

    Na plataforma do mar do Sul da China estão jazidas ricas de petróleo e gás. Pequim anunciou oficialmente em 2014 os seus direitos sobre as ilhas Spratly e, um ano mais tarde, publicou uma nova estratégia militar, em que a Marinha de Guerra chinesa passa a proteger as zonas costeiras a garantir a segurança de toda a área oceânica. Além disso, a China reservou o direito de realizar ataques preventivos locais em caso de ameaça à defesa ou às fronteiras do país. Washington, evidentemente, tem razões para se preocupar, conclui Khrolenko.

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    Marinha, águas internacionais, Liaoning, Hong Kong, EUA, China
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