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    Soldados norte-coreanos durante a parada militar em homenagem ao 60º aniversário do fim da Guerra da Coreia, 2013

    Política americana de 'contenção dupla' levará a uma nova Guerra da Coreia?

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    O Conselho de Segurança da ONU aprovou em 2 de junho, por unanimidade, um pacote de sanções adicionais contra a Coreia do Norte. No seu artigo para a Fundação de Cultura Estratégica, Aleksandr Vorontsov, especialista do Instituto de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO), avalia as possíveis consequências da aprovação deste documento.

    Inicialmente, as partes indicaram que a aprovação mostrou a unidade dos países-membros do Conselho de Segurança da ONU, assim como a comunidade internacional naquilo que trata do programa nuclear da Coreia do Norte. Entretanto, posteriormente, os pontos de vista dos aliados mudaram consideravelmente.

    Deste modo, a representante dos EUA, Nikki Haley, afirmou que, caso as medidas diplomáticas e financeiras não tenham efeito sobre Pyongyang, Washington empreenderá "outras medidas". Embora Washington deseje chegar a um acordo com a Coreia do Norte através de negociações, "Pyongyang deve ser o primeiro a suspender todas as provas nucleares e as de mísseis, assim como dar passos concretos para liquidar os programas nucleares existentes", o que, de fato, significa que a Coreia do Norte deve se desarmar de forma unilateral antes do início das negociações, indica o autor.

    Além disso, Washington ampliou as sanções unilaterais contra Pyongyang, acrescentando 3 empresas e um cidadão russo. A Casa Branca também sublinhou a necessidade de que os Estados "que levam a cabo uma política responsável" rompam os laços diplomáticos e suspendam o comércio "ilegal" com a Coreia do Norte.

    A 'lógica de confrontação' dos EUA

    O vice-representante da Rússia junto ao Conselho de Segurança dos EUA, Vladimir Safronkov, indicou que "Pyongyang viola as sanções impostas, mas não fornece componentes de armas de destruição maciça a entidades não estatais". O diplomata adiantou também que "atualmente, não há provas de que Pyongyang se dedique ao desenvolvimento de programas de armas químicas e biológicas".

    Ademais disso, assegurou que a "lógica de confrontação" implica um risco de consequências catastróficas para a península Coreana, como para a região em geral.

    Safronkov afirmou que é preciso prestar atenção à tática do "resfriamento duplo" dos sistemas de mísseis da Coreia do Norte e das manobras sul-coreanas e americanas para solucionar os problemas da região.

    Entretanto, entre 2015 e 2016 Washington recusou as propostas da Coreia do Norte. Em 8 de março deste ano, o chanceler chinês Wang Yi apresentou uma proposta similar, mas os EUA acabaram por rechaçá-la.

    O diplomata russo também considerou que as sanções contra Pyongyang "não devem levar à asfixia de 25 milhões de simples cidadãos, a grande maioria dos quais necessita de ajuda urgente".

    Rússia e China querem paz na península

    De acordo cm Vorontsov, em primeiro lugar, se trata do plano da administração Trump na política exterior do país, ou seja, atualmente Washington leva a cabo uma "política de contenção dupla" em relação à Rússia e à China. Em abril, o presidente dos EUA, Donald Trump, de fato lançou um ultimato a Xi Jinping, obrigando-o a impor sanções "draconianas" contra Pyongyang em um prazo de 90 dias. Caso contrário, o presidente americano prometeu sancionar milhares de empresas chinesas que colaboram com a Coreia do Norte.

    O secretário da Defesa dos EUA, James Mattis, por sua vez, elogiou Pequim por sua solidariedade com Washington em relação ao programa nuclear norte-coreano.

    Entretanto, durante o mesmo discurso, o militar criticou a "política inadmissível de mudança forçada de status quo no Mar do Sul da China", bem como ameaçou Pequim com uma confrontação aberta com os EUA nesta região.

    Será que o novo documento, que foi já a terceira resolução deste tipo aprovada nos últimos 14 meses, terá consequências para Pyongyang? De acordo com o autor do artigo, todos os países-membros do Conselho entendem perfeitamente que as sanções não vão mudar a situação, dado que, apesar das 17 resoluções da ONU aprovadas desde 2006, a Coreia do Norte segue fortalecendo seu potencial nuclear.

    Ao mesmo tempo, a ONU não quer reconhecer que, neste caso, se trata de uma resolução unilateral, sendo que se refere ao programa nuclear de Pyongyang, sem mencionar, por exemplo, a atividade americana, tais como as manobras na região das quais participam milhares de soldados.

    Kim Jong-un sem opções

    Ao mesmo tempo, Vorontsov sublinha que o objetivo principal de Washington é derrotar o governo norte-coreano e não destruir seu potencial nuclear. Esta é a razão por que os EUA recusam travar um "diálogo significativo" com Pyongyang, o qual tomaria em conta "as legítimas preocupações norte-coreanas quanto à segurança". Por sua parte, Moscou e Pequim estão se esforçando para que o processo de negociações se reinicie, mas sem resultados. A Casa Branca, ao mesmo tempo, segue usando a ONU como uma ferramenta para impor suas decisões, resume o colunista.

    Segundo frisou Vorontsov, o bloqueio econômico total de Pyongyang poderia levar à Segunda Guerra da Coreia, o que mudará o papel da ONU como garante de paz e segurança internacionais.

    As ações de Washington estimulam as autoridades da Coreia do Norte a aumentar os esforços de reforçar o seu escudo antimíssil. O líder da Coreia do Norte, ao mesmo tempo, não tem nenhuma possibilidade de mudar seu curso político e entende perfeitamente que as consequências da "dupla estratégia" da Casa Branca incluem a morte de Kim, como já ocorreu a Slobodan Milosevic, Sadam Husein ou Muammar Kadhafi.

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    Tags:
    armas nucleares, resolução, guerra, península, Pentágono, ONU, James Mattis, Donald Trump, Vladimir Safronkov, China, EUA, Coreia do Norte
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