23:20 08 Abril 2020
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    O Japão convidou a China para desempenhar um papel mais importante na contenção do programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, sendo que Tóquio busca conseguir o apoio do gigante asiático na luta contra o programa norte-coreano.

    O novo lançamento de míssil balístico norte-coreano, realizado em 29 de maio, confirmou os temores de Tóquio de que poderia ser ela, e não os EUA, um dos primeiros alvos de Pyongyang caso um conflito armado de larga escala se irrompa. Fato importante, o míssil lançado caiu a uns 300 quilômetros da costa japonesa.

    Em entrevista à Sputnik China, o especialista russo Valery Kistanov afirmou que hoje em dia os temores do Japão estão se convertendo em histeria a nível nacional. O analista assegura que os habitantes das regiões do país, banhadas pelo mar do Japão (também conhecido como mar do Leste), estão se preparando para ataques norte-coreanos contra as usinas nucleares e para o desembarque das tropas do país juche, indica Kistanov.

    Tóquio entende toda a gravidade da situação e insiste que Pequim corte as relações comerciais com Pyongyang, já que o governo japonês considera ser esta a única fonte de sobrevivência do governo de Kim Jong-un.

    A parte japonesa não quer que Pequim aumente a pressão já que, segundo Tóquio, é impossível solucionar o problema norte-coreano sem sanções chinesas.

    O entrevistado acredita ser pouco provável que os chineses deem tal passo porque isto inevitavelmente resultará em um colapso e em uma crise econômica da nação juche. Kistanov assinalou que esta opção evidentemente não convém à China porque as implicações deste cenário prometem ser devastadoras.

    Inclusive, caso a mudança de poder na Coreia do Norte seja realizada de maneira pacífica, a China teme três coisas. Primeira, o problema das armas nucleares norte-coreanas e, segundo, o fluxo de refugiados do país juche à China.

    A terceira causa parece muito mais preocupante para Pequim. Se a liderança norte-coreana não conseguir manter seu poder no país, surgirá um movimento de reunificação com a Coreia do Sul. Caso isto suceda, é possível que as tropas americanas apareçam junto à fronteira chinesa.

    "Pequim não pode permitir que esta linha vermelha seja cruzada por alguém", disse Kistanov.

    Quanto à solução armada do problema norte-coreano, esta causaria uma catástrofe na região e os primeiros afetados pela represália de Pyongyang seriam o Japão e a Coreia do Sul.

    "Embora os EUA estejam do outro lado do oceano, Tóquio e Seul enfrentam uma situação sem ganhadores possíveis", resumiu.

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    Tags:
    tensão militar, provocação, mísseis intercontinentais, Kim Jong-un, Japão, EUA, Coreia do Sul, Coreia do Norte
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