18:34 23 Outubro 2019
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    O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un

    Coreia do Norte cria escudo de mísseis nucleares

    © Sputnik / Ilia Pitalev
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    Militares norte-coreanos na segunda-feira na manhã lançaram com êxito mais um míssil balístico. Este míssil de pequeno alcance foi lançado desde o polígono de Wonsan no litoral leste do país.

    O voo durou por volta de 6 minutos e, tendo percorrido a distância de 450 km, o míssil caiu no mar do Japão (também conhecido como mar do Leste). A altitude do voo foi de cerca de 100 km.

    "O míssil caiu na nossa zona econômica exclusiva", comunicou aos jornalistas o secretário-geral do governo japonês, Yoshihide Suga, acrescentando que "o lugar da queda fica à distância de 500 km da ilha de Sado, na província de Niigata, e de 300 km do grupo de ilhas de Oki, na província de Shimane" e que "isto é uma direta violação das resoluções do Conselho da Segurança da ONU".

    Os especialistas militares do Japão e da Coreia do Sul, se orientando por dados dos serviços de inteligência, chegaram à conclusão que o míssil em questão era um míssil balístico de pequeno alcance semelhante ao soviético R-17 (Scud-B e Scud-C na classificação da OTAN). De acordo com os dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, a Coreia do Norte tem à volta de 10 mísseis deste tipo. Mas, segundo muitos especialistas militares, os últimos lançamentos de teste norte-coreanos mostraram que o país está pronto para introduzir em serviço uma família de mísseis balísticos que podem atingir alvos em todo o tipo de alcances.

    Com qualquer alcance

    O R-17 soviético representa um míssil balístico de um estágio a combustível líquido com elementos de combustível de longa duração. No exército soviético ele fazia parte do sistema tático-operacional 9K72 Elbrus. O míssil é capaz atingir alvos à distância de 50 até 550 km, dependendo de a modificação ser B ou C. A potência nuclear da ogiva é de 10 até 500 quilotons. Esta é uma arma muito potente, mas não muito precisa, com o coeficiente de falha por volta de 450 metros. Esta particularidade não permite ao míssil atingir um alvo como uma casamata ou navio ou outro alvo pontual, mas pode causar grande destruição se for lançado em uma cidade ou contra concentrações de tropas terrestres do inimigo.

    O lançamento do míssil Scud foi antecedido por uma série de testes. No dia 14 de maio, os militares da Coreia do Norte lançaram o míssil Hwasong-12, que subiu até 2 km. Segundo os especialistas ocidentais, este míssil pode atingir alvos mesmo à distância de 5.000 km.

    Exatamente uma semana depois, no dia 21 de maio, foram realizados com êxito testes do míssil de médio alcance a combustível sólido Pukguksong-2. O míssil subiu à altitude de 550 km e atingiu o alvo de treinamento que estava afastado 500 km. Um vídeo do lançamento foi posteriormente mostrado na TV norte-coreana. Neste ano, a Coreia do Norte lançou o Taepodong-2 – seu principal míssil balístico intercontinental com alcance de 7.000 km. Muitos especialistas militares mundiais se surpreenderam com o nível tecnológico que a Coreia do Norte alcançou.

    Jogo defensivo

    Muitos especialistas acreditam que a Coreia do Norte considera os Estados Unidos e seus aliados na região da Ásia-Pacífico como uma ameaça direta para si, por isso tenta se defender o mais rápido possível com um escudo nuclear profundamente escalonado.

    "Da parte dos EUA são sempre ouvidas ameaças de uma solução militar do problema dos mísseis da Coreia do Norte", disse à Sputnik o especialista militar Mikhail Khodarenok.

    "Agora o tempo joga do lado de Kim Jong-un. Quanto mais mísseis balísticos de várias classes ele tem, tanto mais difícil será para Washington alcançar algo militarmente. A Coreia do Norte está tentando o mais rápido possível se proteger. Do ponto de vista estratégico militar é a única maneira de explicar as ações deles", disse.

    Os diplomatas russos condenaram os testes de mísseis da Coreia do Norte, mas ressaltaram que o país é forçado a realizar "um jogo defensivo". O vice-chanceler russo Igor Morgulov explicou que uma das razões que estimula o programa de mísseis da Coreia do Norte é a intenção da Coreia do Sul e do Japão se juntarem no futuro ao sistema de defesa antimíssil global que os Estados Unidos estão desenvolvendo.

    Assim, parece que uma resolução pacífica não será terá lugar, pelo menos no futuro próximo. O chanceler japonês Fumio Kishida e o secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson já concordaram, durante uma conversa telefônica na segunda-feira (29), em aumentar a pressão sobre a Coreia do Norte.

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    Tags:
    escudo nuclear, míssil balístico intercontinental, míssil balístico, Hwasong-12, Pukguksong-2, OTAN, ONU, Rex Tillerson, Kim Jong-un, Coreia do Sul, Coreia do Norte, EUA, Japão
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