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    Exercícios militares no Japão. 18 de agosto de 2015

    Sistemas de defesa antimíssil que Japão compra podem ser usados contra China

    © AP Photo / Shizuo Kambayashi
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    O Japão planeja comprar sistemas de defesa antimíssil dos EUA Aegis Ashore – a variante de baseamento terrestre dos sistemas Aegis que já estão instalados em 6 destróieres da Marinha do país.

    A decisão oficial sobre esta compra será tomada no verão de 2017, comunica o jornal Nikkei. O especialista militar russo Vasily Kashin comenta a situação em uma entrevista à Sputnik China.

    A possível instalação de sistemas Aegis Ashore no Japão significará que a questão de defesa antimíssil na Ásia ocupará o primeiro plano, deixando definitivamente em segundo plano a questão da defesa antimíssil na Europa, pensa o especialista.

    Além de Aegis Ashore, é preciso ter em conta uma quantidade significativa de navios de defesa antimíssil que estão em serviço, ou se preparam para entrar em serviço, da Marinha do Japão ou da Coreia do Sul, bem como os navios análogos dos EUA. Além de tudo isso, o primeiro sistema THAAD já foi instalado na Coreia do Sul e está planejado instalar mais.

    "O Japão também considera a possibilidade de comprar sistemas THAAD. Isto ajudará a criar um escudo antimíssil que será composto por sistemas navais Aegis, por sistemas Aegis Ashore e THAAD e, para defender os objetos mais importantes, por sistemas Patriot PAC 3", disse Kashin.

    O especialista sublinha que nada de parecido está planejado para ser criado na Europa. Lá está planejado instalar apenas dois sistemas Aegis Ashore na Polônia e Romênia e, além disso, ter 4 navios de defesa antimíssil dos EUA na base de Rota, em Espanha. Segundo Kashin, não há dúvidas que, no caso da Europa, estes sistemas estão apontados contra a Rússia desde o início.

    A ameaça nuclear do Irã perdeu sua atualidade depois do acordo de 2015, além disso, o Irã simplesmente não tem mísseis com alcance bastante longo para atingir a Europa.

    Falando sobre o escudo antimíssil asiático, Kashin disse que estes sistemas são uma reação a uma ameaça real da Coreia do Norte, mas, além disso, eles aumentam as capacidades da aliança americano-japonesa em caso de guerra contra a China.

    "Um míssil do sistema de defesa antimíssil custa muitas vezes mais do que os mísseis balísticos que ele pode interceptar. O investimento no desenvolvimento do sistema de defesa antimíssil faz sentido em dois casos. Primeiro – quando o adversário é muito fraco economicamente e não é capaz desenvolver suas próprias forças de mísseis. O segundo caso, é quando o dono do sistema de defesa antimíssil se prepara para realizar um ataque destruidor, provavelmente nuclear. Nesse caso o sistema de defesa antimíssil será capaz de interceptar os poucos mísseis que restem depois do primeiro ataque e que sejam lançados como resposta", disse Kashin.

    Segundo o especialista militar, o desenvolvimento de um sistema de defesa antimíssil contra uma grande potência é uma evidência da existência de planos ofensivos e intenções agressivas.

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    Tags:
    Defesa antimíssil (DAM), THAAD, Aegis, China, Romênia, Rússia, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão, EUA
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