11:12 28 Junho 2017
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    O sistema de defesa antiaérea THAAD

    Conseguirá Trump forçar Coreia do Sul a pagar pelo THAAD?

    © flickr.com/ MInistério da Defesa dos EUA
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    Apesar dos acordos originais, que previam oferecimento da plataforma de instalação pela Coreia do Sul e pagamento dos custos pelos EUA, todas as despesas atuais e futuras, ligadas à instalação e manutenção dos complexos, poderiam vir a ser responsabilidade de Seul, conta o especialista militar sul-coreano, Kim Dongyeop.

    O Ministério da Defesa da Coreia do Sul continua negando a necessidade de repetir as conversações sobre sistema de mísseis antibalísticos THAAD sem haver motivos reais, pois as condições da instalação foram decididas em acordos anteriores. A parte americana, representada por Herbert McMaster, conselheiro da Segurança Nacional dos EUA, defende que "todos os acordos com os países-aliados sobre defesa serão reconsiderados e que todas as despesas serão divididas. O assunto da instalação do THAAD na Coreia será o primeiro a ser reconsiderado".

    Esta afirmação causou mais receios na Coreia do Sul, onde quem terá que arcar com as despesas são os contribuintes.

    Segundo especialistas sul-coreanos, ao usar o THAAD desse modo, EUA tentam exigir o aumento dos custos, pagos no âmbito do acordo de defesa conjunta. No entanto, em comparação com o Japão, que publica informação detalhada sobre despesas conjuntas, o governo sul-coreano divulga apenas informações sobre os três artigos principais, sendo muito difícil entender se estas despesas compreendem ao THAAD ou não. Sendo assim, EUA podem incluir as despesas de instalação e manutenção do THAAD na lista dos gastos da defesa conjunta, que vem acumulando desde 2014.

    O especialista do Instituto de Problemas do Extremo Oriente da Universidade de Kyungnam, Kim Dongyeop, comenta a situação à Sputnik Coreia.

    "O dinheiro não utilizado para a defesa conjunta, acumulado nos três artigos principais, totalizou 950 bilhões de uones sul-coreanos [R$ 2,6 bilhões], que provavelmente será usado para construir estruturas em Seongju, necessárias para instalação do THAAD", opina Kim Dongyeop.

    Ele destaca que "há muito tempo era esperado que os EUA exigissem aumento do financiamento de Seul com a defesa conjunta ou exercessem pressão em Seul para comprar suas armas, aumentando, assim, os financiamentos da Coreia do Sul com defesa". Por isso, mesmo que o custo de instalação e manutenção dos complexos THAAD na primeira etapa seja compensado por meios não usados, Seul não ficará livre de aumentar seus financiamentos.

    "Receio que a declaração de McMaster sobre 'distribuição de responsabilidades pela defesa conjunta' possa significar em uma necessidade de adquirir complexos do THAAD adicionais", acrescenta Kim Dongyeop.

    De acordo com o especialista, a Coreia do Sul não deve comprar complexos dos EUA, assumindo, assim, seu controle para demonstrar à China e à Rússia que o alvo principal do THAAD é a Coreia do Norte.

    "Neste caso, quando a eficiência do THAAD contra mísseis norte-coreanos não é confirmada, os apelos como 'comprar e usar independentemente o THAAD' também me parecem bastante perigosos", concluiu o especialista.

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    Tags:
    defesa, acordo, THAAD, Donald Trump, Rússia, China, EUA, Coreia do Sul
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