02:44 26 Setembro 2017
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    Caças bombardeiros, inclusivo Tu-95

    Por que aviação antissubmarino russa 'está cercando' Japão

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    Na quarta-feira (12), o Japão levantou caças da sua Força Aérea em alerta devido ao aparecimento de 6 aviões russos perto das suas fronteiras.

    Dois bombardeiros Tu-95 e dois aviões antissubmarino Il-38 sobrevoaram a costa do lado do mar do Japão. Dois aviões antissubmarino de longo alcance TU-142 voaram do lado oposto ao longo do litoral do Pacífico.

    Caças Mig-31 da Frota do Pacífico interceptaram na quinta-feira (13) um míssil de cruzeiro do inimigo convencional, os navios antissubmarino grandes Admiral Panteleev e Admiral Vinogradov também conseguiram repelir ataques aéreos.

    É provável que a atividade da Frota do Pacífico da Rússia no mar do Japão não esteja ligada apenas à inspeção final, pressupõe Aleksandr Khrolenko, analista militar e observador da Sputnik.

    O mar do Japão é essencialmente um mar interior para a Rússia, Japão, Coreia do Norte e Coreia do Sul. As ameaças de Washington, cada dia mais frequentes, em relação a Pyongyang causam a inquietação dos vizinhos. Moscou não pode deixar sem atenção as promessas dos EUA de “pôr as coisas em ordem” em mais um país cujo regime não convém à visão da Casa Branca.

    A Rússia tem que reagir à ameaça de um conflito de grande escala que se poderá desenrolar próximo do território da região de Primorie, considera o analista.

    A decisão americana

    Na quarta-feira (13), Donald Trump, durante a coletiva de imprensa com o secretário-geral da OTAN Jens Stoltenberg, falando da Coreia do Norte declarou que os EUA enfrentam um "grande problema". Mais cedo, o presidente americano chamou Pyongyang de “ameaça direta” aos EUA e prometeu resolver este problema sozinho caso a China se recuse a cooperar com Washington.

    A interação entre a China e EUA na resolução do problema norte-coreano não tem futuro, porque é pouco provável que Pequim possa fazer morrer de fome o país vizinho, mesmo com o objetivo de desnuclearizá-lo. O exército dos EUA está se preparando para combater contra as armas russas e chinesas, enquanto o aliado principal americano continua sendo o Japão.

    Nesta situação, há a probabilidade de um ataque dos EUA com mísseis contra objetivos militares da Coreia do Norte em conjunto com a Marinha japonesa. Esta variante coincide muito bem com a linha estratégica da nova administração dos EUA na região Ásia-Pacífico.

    O interesse do Japão

    Por sua vez, Tóquio avalia muito positivamente a posição sem compromissos dos EUA em relação a Pyongyang.

    O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, declarou que a Coreia do Norte pode ser capaz de realizar um ataque de mísseis com ogivas contendo gás sarin. O “reforço” de ogivas nucleares com sarin parece absurdo, mas se torna evidente a analogia com o que aconteceu na Síria.

    Depois do teste nuclear norte-coreano falho [realizado em 5 de abril], os EUA enviaram à península da Coreia um grupo aeronaval de ataque encabeçado pelo porta-aviões USS Carl Vinson. Entretanto, em manobras conjuntas Seul e Washington treinam a eliminação do líder norte-coreano. É muito provável que Tóquio apoie quaisquer medidas.

    Em troca Tóquio espera receber apoio dos EUA na disputa territorial com a China. No que diz respeito a aspiração a uma maior influência, os interesses do Japão e dos EUA coincidem, destaca o analista militar russo.

    O aviso da China

    A Rússia e a China têm um objetivo comum, continua Khrolenko: impedir a liderança dos EUA na região, por isso, a futura cooperação político-militar entre os dois países não pode ser excluída. Mas a resolução pacífica do problema norte-coreano é uma prioridade para a China.

    Além disso, a China se pronunciou contra a implementação do sistema THAAD americano na Coreia do Sul, argumentando que este pode causar danos aos interesses estratégicos de segurança dos países da região.

    As ilhas de Senkaku (Diaoyu em chinês) são objeto de uma disputa territorial entre a China e Japão desde o início da década de 1970. O Japão sustenta que ocupa as ilhas desde 1895, e que elas não pertenceram a ninguém até essa altura. A China insiste que as ilhas faziam parte do império chinês já há 600 anos. Depois da Segunda Guerra Mundial, as ilhas ficaram sob controle dos EUA e foram transferidas ao Japão em 1972, juntamente com a ilha de Okinawa. Taiwan e a China continental acreditam que o Japão detém as Ilhas ilegalmente.

    A disputa territorial se intensificou em 2012, quando o governo japonês anunciou a nacionalização das ilhas. Na China ocorreu uma onda de manifestações antijaponesas e os líderes do país expressaram a vontade de usar todos os meios para proteger a integridade territorial e a soberania da China sobre as ilhas.

    No quadro das ameaças americanas à Coreia do Norte, da implementação de sistemas da defesa antiaérea na península coreana e do reforço da cooperação militar entre o Japão e EUA, é possível prever o crescimento da atividade da aviação naval e navios da Frota do Pacífico russa. E, como a China e Rússia estão preocupadas de igual forma com os acontecimentos, a coordenação nos locais mais críticos é inevitável, conclui o analista.

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    Tags:
    Admiral Vinogradov, Il-38, THAAD, Tu-142, Tu-95, MiG-31, Casa Branca, OTAN, Donald Trump, Jens Stoltenberg, Coreia do Sul, Coreia do Norte, China, EUA, Japão, Rússia
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