23:18 22 Julho 2018
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    Fukushima, Japão (foto de arquivo)

    Dispositivos russos combatem radiação no Japão

    © AP Photo / Shizuo Kambayashi
    Ásia e Oceania
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    Pesquisadores japoneses asseguram que retorno dos cidadãos às cidades situadas a 60 km da usina Fukushima 1 não é perigoso à saúde dos mesmos. A pesquisa de Miyazaki Makoto da Universidade de Medicina de Fukushima e de Ryugo Hayano da Universidade de Tóquio foi publicada no Journal of Radiological Protection.

    Durante as pesquisas, os cientistas analisaram dados sobre o nível de radiação que foram obtidos durante medição aérea realizada por helicópteros que sobrevoaram a cidade de Date, na província de Fukushima. A população desta cidade não foi evacuada, mas autoridades deliberaram realizar monitoramento radiativo. A partir de 2012, 65 mil moradores começaram a receber medidores de radiação, que eram devolvidos às autoridades a cada três meses para análise. Ao comparar a coleta aérea dos testes governamentais, cientistas chegaram à conclusão de que o nível de radiação é muito mais baixo do que relatam autoridades japonesas.

    No relatório científico frisa-se que a avaliação precisa do nível de radiação permitirá que as pessoas evacuadas voltem para suas casas. 52 mil receberam o convite de voltar para seus lares em março deste ano.

    Um dos primeiros equipamentos que provaram sua eficácia trata-se do dosímetro de produção russa Soeks. Os primeiros dispositivos chagaram ao Japão em 2011 e é atualmente representado pela empresa Soeks Japan. O dosímetro Soeks é líder absoluto de vendas na Rússia, Japão e na Alemanha. A empresa Soeks é a principal produtora de dispositivos do controle ecológico, equipamento médico e de medição. Os aparelhos estão sendo exportados para mais de 40 países.

    Os ataques nucleares de Hiroshima e Nagasaki abriram os olhos de muitos quanto à importância de fabricação de dispositivos individuais para a população japonesa, mesmo assim, o acidente de Fukushima pegou Japão desprevenido, pois não havia dosímetros disponíveis para os cidadãos comuns.

    "Quando em março de 2011, devido ao acidente nuclear e, consequentemente, a catástrofe ecológica, Soeks propôs sua produção para o mercado japonês", conta para Sputnik Japão Mikhail Mozzhechkov, diretor regional da Soeks Japan.

    Desde o início, o comércio foi realizado em conformidade com as leis do país: Soeks foi registrada como pessoa jurídica, pagava impostos, não elevava preços etc.

    "Mas a procura era tão grande que nos primeiros dias o fornecimento não dava conta e alguns russos e japoneses espertos trouxeram [dosímetros] para o Japão a preço alto", lembra Mozzhechkov.

    Hoje em dia, 6 anos depois da tragédia, a procura de dosímetros Soeks é estável, apesar de não ser tão grande como nos primeiros anos depois do acidente.

    "Soeks mostrou ao mercado japonês suas boas qualidades e funcionalidade […] O aparelho pode, além de medir o nível de radiação, servir para testar nitratos", afirma o chefe regional.

    Enquanto milhares de engenheiros e operários continuam combatendo as consequências do acidente nuclear de Fukushima, ativistas, inspirados na experiência de Chernobyl, planejam tornar Fukushima em um lugar especial no intuito de mantê-lo como lembrança para futuras gerações. Para os que gostam de passar tempo em lugares afetados por desastres nucleares, o dosímetro é um equipamento que não pode faltar em sua bagagem.

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    Tags:
    acidente nuclear, radiação, Fukushima, Japão
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