10:41 19 Novembro 2019
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    Ministro das Relações Exteriores chinês Wang Yi e o seu homólogo iraniano, Mohammad Javad Zarif

    China apoia Irã em nova ronda de confrontação com EUA

    © AFP 2019 / LINTAO ZHANG
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    Teerã ganhou o apoio de Pequim perante a eventual introdução de novas sanções contra o Irã. Este é um dos principais resultados da viagem do chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif à Índia, China e Japão em 3-8 de dezembro.

    Esses três países são considerados os maiores importadores do petróleo iraniano.

    Durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira (08) em Tóquio, o chefe da diplomacia iraniana anunciou que tanto os EUA, como os restantes países da comunidade internacional, deveriam estar interessados em respeitar o acordo sobre o programa nuclear iraniano. Porém, o Irã não exclui que esse acordo possa ser violado por Washington, apesar de ter sido aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, acha Zarif.

    O chanceler do Irã destaca que as sanções contra o Irã não funcionaram no passado e seu reforço não trará resultados.

    Antes, durante o encontro em Pequim em 5 de dezembro entre Zarif e seu homólogo chinês Wang Yi, o último destacou que "o pleno apoio ao cumprimento eficaz das condições deste acordo é uma responsabilidade geral e corresponde aos interesses de todas as partes".

    Vale ressaltar que essa postura de Pequim foi anunciada após a aprovação, por ambas as câmaras do Congresso dos EUA, do projeto de lei sobre prorrogação do prazo das sanções contra o Irã por dez anos.

    Em entrevista à Sputnik China, Irina Fedorova, especialista do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia, apontou que "as sanções americanas estão no centro da atenção dos observadores".

    "A questão é se Barack Obama irá assinar ou não os projetos de lei aprovados pelo Senado e Congresso nos últimos dias da sua presidência. Caso isso aconteça, o impacto sobre as relações econômicas entre o Irã e a comunidade internacional será muito sério", acha Fedorova.

    Durante a reunião acima mencionada, as partes iraniana e chinesa confirmaram sua disposição em ampliar a cooperação econômica e o financiamento de projetos. Em particular, foi destacado que a China está interessada na participação do Irã da iniciativa da Rota da Seda terrestre e marítima.

    Na opinião do especialista do centro de pesquisas iranianas da Universidade do Sudoeste da China, Ji Kaiyun, as mudanças da situação nos EUA e as tendências que são visíveis com a chegada de Trump ao poder tornam ainda mais séria a confrontação entre os EUA e o Irã.

    Ao mesmo tempo o especialista espera que os futuros contatos com a China permitam ao Irã atenuar os efeitos da pressão exercida pelos EUA.

    Durante uma coletiva de imprensa em Tóquio, o chanceler iraniano destacou que "hoje em dia o objetivo estratégico do Irã é recuperar o nível das exportações que existia antes das sanções impostas pelo Ocidente". Na opinião de Zarif, neste quesito o Irã aposta na parceria com a China, Índia, Japão e a Coreia do Sul como principais importadores do petróleo iraniano.

    Em setembro o Irã aumentou em 73% o volume de petróleo fornecido a estes países, quando comparado com o período homólogo de 2015. Em particular, o crescimento das exportações de petróleo do Irã para a China alcançou os 18 por cento.

    Devemos destacar que a China é o país que lidera pelo volume do petróleo importado do Irã. Está ficando evidente que as eventuais novas sanções americanas contra o Irã colocarão em risco a estabilidade dos lucros obtidos com as vendas de petróleo. O Irã está enfrentando um grave défice de recursos e tecnologias para modernizar seu setor petrolífero.

    Assim, parece que as visitas do chanceler iraniano Zarif à Índia, China e Japão devem ter servido para Teerã esclarecer o novo papel de cada um desses países no âmbito da sua estratégia energética.

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    Tags:
    relações econômicas, rota da seda, exportações, petróleo, sanções, programa nuclear iraniano, Congresso dos EUA, Ministério das Relações Exteriores, Academia de Ciências da Rússia, Sputnik, Wang Yi, Mohammad Javad Zarif, Barack Obama, EUA, China, Irã
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