03:50 19 Setembro 2019
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    Vistas da Rússia. Ilhas Curilas

    Ilhas Curilas: decisão sem soluções e a façanha de Abe

    © Sputnik / Ekaterina Chesnokova
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    O chanceler russo Sergei Lavrov, após conversações com o seu homôlogo japonês Kishida Fumio no dia 3 de dezembro, sublinhou que a maneira de resolver a questão de um tratado de paz é através da confiança e cooperação. Mas observou que “não é fácil aproximar” as posições de princípio da Rússia e do Japão.

    Depois de alguns dias no jornal japonês Mainichi apareceram informações confirmando as palavras de Lavrov sobre os obstáculos no caminho da aproximação entre a Rússia e o Japão. A publicação escreve que a Rússia e o Japão estão discutindo um plano para criar na parte sul das Ilhas Curilas uma zona económica especial, mas esses planos são dificultados pela incerteza quanto ao estatuto jurídico das ilhas, em particular, em casos de incidentes envolvendo cidadãos japoneses. Kishida deixou claro que para o Japão vai ser difícil iniciar a realização dos planos de atividades económicas conjuntas nas ilhas, enquanto elas permanecem sob o controle da Rússia.

    O chefe do Centro de Estudos Japoneses, Valery Kistanov, expressou sua opinião sobre esta questão à Sputnik Japão: "Com esta visita, os contactos entre as agências diplomáticas e econômicas dos nossos países se intensificaram. Foram divulgados projetos de cooperação nas esferas da energia, agricultura, exportação de modernas tecnologias de infraestrutura urbana e muitos outros projetos úteis para o Extremo Oriente russo. Há informações de que os mais promissores são cerca de 30 projetos específicos. Os acordos sobre muitos deles poderão ser assinados durante a visita. Quanto às ilhas, os japoneses, é claro, não fazem depender diretamente a cooperação económica da solução da questão territorial a seu favor, pois o Japão está mesmo interessado no desenvolvimento da cooperação económica com a Rússia. Ele precisa de uma fonte estável e garantida de recursos energéticos, precisa do mercado de consumo russo. O Japão está também interessado na exportação para a Rússia de tecnologias de construção de infraestruturas… Tudo isso pode dar um novo impulso para o desenvolvimento da economia japonesa, que se encontra estagnada por muito tempo…"

    Andrei Fesyun, da Escola Superior de Economia da Rússia, por sua vez, comentou a situação da seguinte forma: "A questão de instalar empresas conjuntas nas ilhas é muito complexa e séria. Na época, houve propostas para construir um hotel nas águas termais, e outras. Mas a questão não é apenas a rentabilidade do negócio. Para o Japão, as ilhas Curilas são uma questão muito delicada. Devemos entender que o que agora o primeiro-ministro Abe está fazendo é uma espécie de façanha. Ele é o primeiro premiê japonês, que, nas circunstâncias atuais, declara abertamente que quer melhorar as relações com a Rússia. E ele di-lo sinceramente. É difícil imaginar a resistência que ele tem que superar. Portanto, não devemos encarar esta visita com expectativas demasiado elevadas, mas acho que haverá um movimento em direção um ao outro".

    "Nós esperamos progresso no desenvolvimento da cooperação comercial, económica e no investimento bilateral. Foi elaborado um pacote impressionante de documentos (para assinatura durante a visita), ele agora está sendo finalizado. Lógico que todos nós vamos esperar os resultados…", disse, por sua vez, há poucos dias o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov.

    De qualquer forma, é inegável que a separação entre as esferas da política e da economia, que foi declarada pelos políticos japoneses, poderá ser benéfica tanto para a Rússia, como para o Japão e para as relações russo-japonesas em seu todo.

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    Tags:
    relações, relações bilaterais, economia, Ministério das Relações Exteriores, Shinzo Abe, Sergei Lavrov, Ilhas Curilas, Curilas, Japão, Rússia
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