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    Japão e EUA empreendem ataque psicológico contra a China

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    O Japão não reconhece a China como um país com economia de mercado, escreveu em 5 de dezembro o jornal japonês Yomiuri. Hoje se soube que o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, criticou a China pela desvalorização do yuan, altas taxas sobre os produtos norte-americanos e pela construção de um complexo militar no Mar do Sul da China.

    Os subsídios do governo para proteger a indústria chinesa e o apoio estatal às exportações não permitem reconhecer à China o estatuto de país com uma economia de mercado, relata o jornal Yomiuri.

    Ele lembra que a China exporta maciçamente produção metalúrgica e química para o mercado global. Isso quebra os preços à escala global. A recusa em reconhecer o estatuto de mercado à economia da China, de acordo com o jornal, vai potencialmente facilitar ao governo do Japão a possibilidade de introduzir barreiras alfandegárias e taxas antidumping contra Pequim.

    O Yomiuri, de fato, deixa claro que a decisão do governo japonês em não reconhecer a China como um país com economia de mercado será um trunfo adicional nas guerras comerciais com a China. O especialista do Instituto do Extremo Oriente, Viktor Pavlyatenko, por sua vez, chama atenção para a a prevenção deste jornal em relação à China. A publicação afirma que uma posição semelhante será tomada pelos Estados Unidos e pela União Europeia. O Japão o que esperavam os aliados ocidentais, afirma o especialista à Sputnik China:

    "O Japão não pode fazer o contrário, ele é um membro do G7. O seu peso político no mundo foi em grande parte adquirido através de sua parceria com o Ocidente e a permanência no G7. E não há nenhuma alternativa para uma posição independente, diferente da de seus parceiros ocidentais. Portanto, na decisão do governo japonês não há nada de surpreendente. É compreensível que eles queiram conter a China. A China se tornou na fábrica do mundo, ultrapassou o Japão e se tornou a segunda economia mundial. Hoje em dia, a China não é só um concorrente do Japão, é o seu rival. O não reconhecimento da China como economia de mercado vai criar dificuldades ao recebimento de empréstimos e créditos no mercado financeiro global, vai facilitar a introdução de várias medidas contra ela para restringir seu comércio no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). E o fato de que o Japão, a seguir à UE e aos EUA, não reconhece o estatuto de mercado da economia da China mostra que esses três países têm demonstrado sua unidade na compreensão de que a China se tornou um sério rival para eles, e que as medidas não devem ser tomadas por cada membro do G7, mas devem ser dados passos conjuntos por toda a comunidade ocidental."

    A posição antichinesa dos EUA, da UE e, agora, do Japão é contrária aos termos de suas obrigações no âmbito da adesão da China à OMC, refere o especialista do Centro de Estudos Financeiros da Universidade do Povo da China, Bian Yongzu:

    "Com a adesão da China à OMC em 2001, foi determinado um período de transição de 15 anos até ao estatuto de economia de mercado. No final do corrente ano, no final do período de transição, as várias partes são obrigadas a reconhecer formalmente esse estatuto da China. No entanto, a UE, os EUA, e agora o Japão rejeitam-no. Esta atitude pode ser caracterizada como um "comportamento vergonhoso e insolente". Eles seguem a sua posição principalmente por duas razões. Uma delas é a fragilidade da recuperação da economia mundial nos últimos anos, a falta de otimismo na situação econômica dos países desenvolvidos, cujas vantagens competitivas, emalguns sectores e áreas, não podem sequer ser comparadas nem de perto com as da China. Por outro lado, após o anúncio do Reino Unido sobre a sua saída da UE e as eleições presidenciais nos EUA, ocorreram mudanças nas atitudes da opinião pública na Europa e nos EUA. Estão se reforçando o populismo e os sentimentos antichineses. O não reconhecimento pelos EUA, UE e Japão do estatuto de mercado da economia da China reflete psicologicamente a diminuição das vantagens competitivas destes três países. Além disso, mesmo se eles estão nesta questão contra a China, eu não acredito que suas vozes possam desempenhar um papel decisivo. Já que as vantagens comerciais e econômicas globais se mostram no processo de competição, nós podemos ver uma tendência de aumento da competitividade internacional da China."

    Uma grande ressonância na mídia foi provocada pelo ataque dos EUA à China. O presidente eleito Donald Trump arremeteu no seu microblog no Twitter contra a China criticando-a de manipular o yuan, da alta tributação de produtos americanos importados para a China e da construção de um complexo militar no Mar do Sul da China. O jornal chinês Huantsyu Shibao Global Times observa a este respeito que, mesmo como candidato presidencial, Donald Trump culpou a China da desvalorização do yuan e a

    meaçou introduzir um imposto adicional de 45 por cento sobre as importações chinesas para aumentar a competitividade das empresas norte-americanas. Ele, pela primeira vez, "afirmou claramente a sua posição" em relação ao Mar do Sul da China.

    O vice-presidente da Academia de Problemas Geopolíticos, Konstantin Sivkov, considerou o ataque psicológico de Donald Trump contra a China como esperado:

    "Donald Trump sempre declarou a China como adversário dos EUA. Essa é a sua estratégia. O fato de agora ele arremeter contra a China confirma esse fato. Trump vai seguir essa linha que ele declarou na eleição presidencial, evidentemente com pequenas correções, mas a direção geral vai ser essa mesma. Trump objetivamente entende que a Rússia não é um concorrente econômico dos Estados Unidos, por isso o principal rival dos EUA no campo econômico é hoje a China. E depois da economia segue a esfera militar. Portanto Trump se orienta para a criação de condições de concorrência mais favoráveis para os Estados Unidos na região Ásia-Pacífico. Barack Obama não conseguiu fazer isso, e Donald Trump não tem outra escolha sem ser tentar conter a China na região e no mundo. Se ele não conseguir resolver o problema, a América vai ficar atrás da China para sempre. O único modo para Trump resolver este problema é a consolidação com a Rússia, separar a Rússia da China e, juntamente com a Rússia e a UE, tentar restaurar o status quo que existia antes do arranque da China que vemos hoje."

    Donald Trump submeteu a China a críticas pelos problemas que recentemente se tornaram os grandes fatores irritantes nas relações sino-americanas. Aparentemente, as previsões de alguns especialistas sobre a possibilidade de uma nova visão da nova administração sobre os velhos problemas ainda não se justificam.

    Uma colher de fel nas relações bilaterais foi adicionada pelo presidente Barack Obama. Ele decidiu não aprovar a aquisição por uma empresa chinesa, a Grand Chip, da empresa Aixtron, especializada em produção de equipamentos para a indústria de semicondutores. Isso foi relatado no dia 2 de dezembro pelo serviço de imprensa da Casa Branca. A decisão foi tomada no final de uma reunião do Comitê de Investimentos Estrangeiros dos Estados Unidos, que analisa as transações-chave internacionais do ponto de vista dos interesses de segurança nacional.

    A este respeito, os especialistas afirmam que, no futuro próximo, o regulador dos EUA deve tomar decisões sobre outros dois grandes negócios. Um deles é a compra de 49,5 por cento de ações da Bolsa de Chicago pela empresa chinesa Chongqing Casin Enterprise Group. Outro é a absorção por um grupo de investidores chineses, o Canyon Bridge Capital Partners, de um dos principais fabricantes mundiais de circuitos impressos, a Americana Lattice Semiconductor Corp. O preço do negócio é de 1,3 bilhões de dólares (cerca de 45,31 reais brasileiros).

    Será que as decisões sobre estes negócios vão ser tomadas pela equipe de Obama, ou a estafeta será tomada pela equipe de Donald Trump, ainda é difícil dizer. Em qualquer caso, os EUA terão um novo teste à capacidade de responder adequadamente ao crescimento da atividade de investimento da China no mercado global de capitais.

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    Tags:
    psicológico, mercado, importações, exportações, governo, economia, UE, Organização Mundial do Comércio, Casa Branca, Twitter, OMC, Global Times, G7, União Europeia, Konstantin Sivkov, Donald Trump, Barack Obama, Mar do Sul da China, Extremo Oriente, América, China, EUA, Japão
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