02:34 22 Agosto 2017
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    Agentes das forças de paz da China patrulham em Juba no Âmbito da missão da ONU, Sudão do Sul, 4 de outubro de 2016

    'China quer elevar seu papel sob novo secretário-geral da ONU'

    © AFP 2017/ ALBERT GONZALEZ FARRAN
    Ásia e Oceania
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    A China está elevando seu papel em missões de paz da ONU, enquanto os EUA reconsideram seu papel global, informou o jornal britânico The Financial Times antes da visita do novo secretário-geral da ONU António Guterres a Pequim.

    Durante os encontros com ele, os líderes chineses podem promover a candidatura do representante da China ao posto de diretor do Departamento de Operações de Manutenção da Paz da ONU, prevê o analista russo, Vladimir Evseev, em entrevista à Sputnik China. Na opinião dele, este posto tem importância para a China na luta pela liderança global.

    A dinamização da participação chinesa em operações de paz aumenta sua influência na ONU, onde os países ocidentais controlam frequentemente os departamentos importantes, diz o The Financial Times.

    A China visa ocupar o principal posto de manutenção da paz na ONU para controlar forças de paz com cerca de 100 mil efetivos e acabar com o poder do Ocidente sobre altos funcionários na ONU. A publicação The Foreign Policy afirmou que agora se está desenvolvendo uma dura competição política pelos altos cargos sob comando do novo secretário-geral da ONU. O resultado disso pode ser o fim do monopólio dos países ocidentais na liderança da ONU.

    Especialistas notaram que há quase 20 anos que um cidadão da França encabeça o Departamento de Operações de Manutenção da Paz. Entretanto, a China ocupa o primeiro lugar entre os membros do Conselho de Segurança em relação ao número de efetivos que participam dessas operações. Neste momento, mais de 3 mil efetivos chineses participam das operações de paz. A China ocupa o segundo lugar, depois dos EUA, quanto ao volume de financiamento das operações da ONU para manutenção da paz, assegurando mais de 10% do orçamento de cerca de 8 bilhões de dólares.

    Assumindo a liderança na área de missões de paz, a China segue com preocupação os desenvolvimentos no Oriente Médio, porque é esta a fonte principal de petróleo para a China.

    O analista russo Viktor Evseev pensa que com o aumento de recursos investidos nas missões de paz aumentou o desejo de Pequim de influenciar a política da ONU nessa área.

    A lei que foi adotada para que a China possa enviar tropas para o exterior reflete o crescente papel da China como um pacificador global.

    "Tudo isso significa que a China se está tornando um centro de poder mundial e por isso precisa de reforço. Penso que o objetivo de ocupar este cargo na ONU é importante para a China no âmbito da luta pela liderança mundial. A China fará tudo para que isso aconteça", disse Evseev.

    O diretor do Centro de Relações Internacionais do Instituto de Línguas de Pequim, Jia Lieying, afirmou que a China já participou de 30 operações de paz envolvendo cerca de 30 mil efetivos. A China respeita a Carta da ONU e assegura o desenvolvimento e transformação pacífica da estrutura socioeconômica de países onde são realizadas as missões de paz.

    "A China é um suporte seguro dos três pilares da ONU – paz, desenvolvimento e direitos humanos", disse ele à Sputnik China.

    Outros especialistas pensam que investindo nas operações de paz a China promove uma imagem internacional positiva. Além disso, isso contribuiu para a proteção de investimentos e empresas chineses no exterior.

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    Tags:
    cargo, influência, missão, paz, tropas, ONU, China
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