10:49 24 Outubro 2021
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    O primeiro navio chinês com mercadorias passou pelo porto de Gwadar, reconstruído pela China no Paquistão, para o Oriente Médio. A cerimônia foi realizada no porto em 13 de novembro com a participação de altos representantes paquistaneses civis e militares.

    Um dia antes, o atentado mais sangrento dos últimos tempos na província de Baluchistão, onde fica Gwadar, tirou a vida a mais de 50 pessoas. O ataque do grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e muitos outros países) visou prejudicar projetos financiados pela China no sudoeste e em outras regiões do Paquistão, informou o jornal The South China Morning Post citando funcionários paquistaneses.

    Esta cerimônia teve a presença do primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, que disse que Islamabad assegurará da melhor forma a segurança do porto para que as empresas estrangeiras possam usar os serviços de Gwadar, que está sendo gerido pela China. Depois de os trabalhos de dragagem dos fundos e de modernização da infraestrutura do porto terem sido realizados, o porto foi escalado em agosto pelo primeiro navio chinês com cargas para o Paquistão. No domingo (13), pelo porto passou o primeiro navio chinês com cargas para o Oriente Médio.

    Ao mesmo tempo, se tornou conhecido que a primeira coluna rodoviária com mercadorias para o corredor econômico sino-paquistanês Xinjiang–Gwadar já chegou da China ao Paquistão. Os detalhes não foram divulgados. Entretanto, a parte paquistanesa usou estes eventos para recordar seu cumprimento das responsabilidades assumidas para assegurar a segurança do porto e do corredor. Isso está a cargo de destacamentos militares especiais. Islamabad anunciou sua formação na primavera do ano em curso. Na mesma altura se soube que soldados chineses também vão participar da proteção das duas infraestruturas. Esta é a primeira vez que destacamentos militares chineses são usados no exterior para assegurar seus interesses econômicos. Durante 10 anos a China pretende investir no corredor econômico Xinjiang–Gwadar 46 bilhões de dólares.

    O especialista russo em assuntos de Ásia do Sul e Oriente Médio, Stanislav Tarasov, afirmou que a China tenta ocupar o vácuo deixado pelos EUA.

    "A China está aumentando sua já forte influência no Paquistão. Também se observa uma grande influência da China no Afeganistão. Na região está surgindo um vácuo depois de os norte-americanos terem enfraquecido e sua política ter fracassado", disse.

    Ele sublinhou que a China realiza atividades na região até a nível de inteligência, porque há rumores de que ela está negociando com pashtos, balúchis e islamistas radicais. Entretanto, com a expansão econômica da China na região os riscos irão aumentar.

    "De um lado há a vontade dos países árabes e africanos cooperarem com a China, do outro – determinadas forças utilizam os islamistas para destruir capacidades energéticas, de transportes e comunicações existentes. As ações destas forças podem ser analisadas no contexto da confrontação entre os EUA e a China", disse Tarasov.

    Na opinião dele, contra a China será usada a questão dos balúchis. Os balúchis habitam regiões que ficam no território do Paquistão, Afeganistão e Irã. Entre eles são fortes as tendências separatistas para criar um estado do Baluchistão. Estas intenções são usadas pelos islamistas como um instrumento de luta contra as autoridades legítimas.

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    Tags:
    China, Paquistão, comércio, rota, segurança
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