11:01 25 Junho 2018
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    Veículo blindado de transporte de pessoal BTR-80 na Bielorrússia

    Opinião: Qual tem sido o sucesso da cooperação técnico-militar entre Minsk e Pequim?

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    Alguns analistas bielorrussos estão avaliando positivamente as perspectivas desta cooperação, acrescentando que Bielorrússia é mais aberta em relação à China que a Rússia e não receia entregar tecnologias à China.

    A visita oficial do presidente da Bielorrússia Lukashenko à China deverá resultar na dinamização da cooperação técnico-militar entre os dois países.  

    "Na verdade, segundo todos os sinais, a Bielorrússia foi diminuindo ultimamente o volume das exportações de produção técnico-militar para a China. As relações entre os dois países no domínio da cooperação técnico-militar seguiam mais pela via das importações de tecnologias militares chinesas pela Bielorrússia e pela concessão de ajuda técnica pela China", escreve o analista militar russo Vasily Kashin, acrescentando que o maior projeto ligado a importações de tecnologias militares chinesas é a produção do lançador múltiplo de foguetes Polonez.

    ​Além disso, segundo o analista, a Bielorrússia recebeu veículos blindados chineses MENGSHI, enquanto o produto tecnológico principal das exportações da Bielorrússia são as tecnologias de produção de veículos pesados para montagem de sistemas de mísseis construídos pela fábrica de caminhões MZKT.

    As perspectivas da cooperação são bastante nebulosas, bem como as perspectivas da MZKT. O problema, segundo Kashin, é que a fábrica ganhava a maior parte de sua renda com exportações para a Rússia, mas agora a recusa de Lukashenko em dar acesso a investidores russos e a atividade excessiva de cooperação com os chineses levaram a uma situação em que a Rússia decidiu realizar a substituição de importações da produção bielorrussa. 

    "Isso foi uma tarefa complicada: esses veículos pesados antes não eram produzidos na Rússia […], mas agora os trabalhos para criação da nova série de veículos Plataforma-O […] estão avançados. É muito possível que nos próximos anos o mercado russo de tecnologia militar esteja perdido para a MZKT, cuja posição não é muito estável", sublinha Vasily Kashin. 

    Problemas idênticos foram registrados em outros setores do complexo militar-industrial bielorrusso, onde havia um potencial significativo de exportação, nomeadamente no domínio da eletrônica militar. A perda de confiança, e suspeitas de que qualquer informação entregue à parte bielorrussa possa vazar para o estrangeiro, levam ao enfraquecimento dos contatos na esfera técnico-militar, o que posteriormente levará à queda da produção militar bielorrussa. 

    Entretanto, o analista acha possível que a "Bielorrússia tente combinar as compras de equipamentos na Rússia e na China para estabelecer um nível mais elevado de independência e posições mais vantajosas para o comércio". 

    O analista acrescenta que no passado Aleksandr Lukashenko já tinha repetidamente apostado na China e tentou criar contradições russo-chinesas por causa da Bielorrússia. Isso, porém, não lhe trouxe nenhuns resultados, porque a China sempre evitou dar passos políticos que pudessem ser avaliados negativamente pela Rússia. 

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    Tags:
    lançador, perspectiva, desenvolvimento, opinião, militar, importações, exportações, cooperação, Aleksander Lukashenko, Bielorrússia, China, Rússia
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