05:51 14 Dezembro 2018
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    Presidente filipino Rodrigo Duterte proferindo discurdo numa conferência de impensa em Davao

    Com que e em prol de que se arrisca o presidente filipino?

    © REUTERS / Russia Picture Service
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    A possibilidade de golpe militar contra o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, permanece, embora o comando militar do país tenha descartado a existência de tais planos, informou em entrevista à agência Sputnik o politólogo e professor russo, Vladimir Kolotov.

    Na opinião dele, Duterte "corre um sério risco por ter iniciado a rígida luta contra a máfia de drogas, inimigo perigoso e influente". Segundo Kolotov, existe a possibilidade de eventual golpe contra o atual presidente, organizado pelos cúmplices da máfia.

    O especialista indica que "devido ao alto nível de corrupção no sistema da ordem pública e órgãos do governo, Duterte teve que adotar medidas extremas, como, por exemplo, pedir à população para matar traficantes, livrando-a de processo judicial".

    Outro fator importante destacado por Kolotov é a presença de bases militares dos EUA nas Filipinas. Ele acredita que em países onde a presença militar dos EUA é existente, há possibilidade de os americanos influenciarem a política interna e externa destes países. Há vários casos em que os EUA derrubaram ou tentaram derrubar presidentes 'indesejáveis'.

    Segundo o especialista russo, Yevgeny Mikhailov, se levarmos em consideração questões de segurança, as ações do presidente filipino são incompreensíveis para os países ocidentais e para os EUA, em particular. Na opinião dele, tais líderes como Duterte são os principais alvos dos EUA, que costumam dominar e estabelecer suas ordens.
    Mikhailov ressalta que "é mais fácil para o Ocidente dominar os países sujeitos à anarquia e criminalidade".

    Segundo o professor Kolotov, Rodrigo Duterte está ciente da ameaça. Mas que risco o presidente enfrentaria?

    "Quando criminosos matam pessoas, todos ficam tranquilos, mas quando as pessoas são contra criminosos, isso causa protesto. Claro que o forte e ambicioso líder das Filipinas não é a favor quando seu país, que o elegeu presidente, sofre tentativas de ser controlado por fora", explica Kolotov.

    Antes, Duterte anunciou que pretende mudar o curso da sua política externa para se focar mais na Rússia e China, ao invés dos EUA e Ocidente. O presidente filipino, além de seguir com planos de visitar a China, pretende se reunir com o primeiro-ministro Dmitry Medvedev na Rússia. Duterte informou que está disposto a "abrir as Filipinas para os russos e chineses para que eles possam negociar" e, assim, "fechar acordos comerciais".

    Ao mesmo tempo, é importante levar em consideração que as Filipinas são um dos países de onde os EUA podem projetar sua força, pois os americanos já criaram um setor de defesa antimíssil a partir do Japão até a Austrália. Se as Filipinas se livrarem das bases norte-americanas, as posições estratégicas dos EUA serão ameaçadas, o que poderá ser um passo significativo no restabelecimento da soberania filipina.

    Em 20 de setembro, a mídia informou que o palácio presidencial Malacanang teria recebido informações do representante do gabinete de ministros das Filipinas, que está em Nova York, sobre um alegado plano de derrubar Duterte do poder antes de janeiro de 2017. O governo filipino está investigando tais dados, mesmo os detalhes não terem sido revelados.

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    Tags:
    máfia, bases militares, golpe militar, presença militar, traficantes, Rodrigo Duterte, Dmitry Medvedev, Filipinas, Austrália, Nova York, Ocidente, China, EUA, Japão, Rússia
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