06:50 19 Outubro 2018
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    Ministra da Fedesa do Japão Tomomi Inada ao lado do atual primeiro-ministro Shinzo Abe

    O sonho americano de Tomomi Inada: uma mulher poderá se tornar primeira-ministra do Japão?

    © AFP 2018 / KAZUHIRO NOGI / AFP
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    Tomomi Inada é uma mulher com seu estilo particular – usa óculos com armação de massa, collants de rede e tem opiniões de extrema direita...

    Em agosto do ano em curso, ela foi nomeada ministra da Defesa do Japão e já em setembro, na véspera de sua primeira visita a Washington, a mídia ocidental a chamou de "primeira-ministra em espera do cargo" e "sucessora" de Shinzo Abe, o atual primeiro-ministro.

    Se Inada realmente se tornar a primeira mulher primeira-ministra na história do país, esse fato poderia ser algo excepcional a nível global. Mas será que o sonho americano está longe da realidade japonesa?

    A expressão "primeira-ministra em espera do cargo" se consolidou com Inada nas maiores edições internacionais: em setembro o clichê surgiu nos títulos do jornal Financial Times e por duas vezes no The Washington Post — antes e depois de sua visita aos EUA. A curiosidade é que a mídia japonesa não disse nada sobre essa eventual nomeação.

    O Financial Times se refere à opinião de "vários comentaristas no Japão". Segundo um deles, "independentemente de quem seja o novo primeiro-ministro, Inada é, sem dúvida, uma das principais personalidades na política do Japão". Outro comentarista aponta que "em vista dos acontecimentos globais, é possível que uma mulher ocupe o cargo de primeiro-ministro".

    Em entrevista à agência Sputnik, o ex-embaixador da Rússia em Tóquio Aleksandr Panov explicou que "a senhora Inada é uma política bastante jovem e não muito conhecida no Japão, mas Abe tenta fazer com que a elite política do Japão tenha o maior número possível de mulheres".

    Panov destaca que o fato de Inana ter chefiado o Ministério da Defesa do país é algo excepcional.

    "Poucos países ocidentais podem estar orgulhosos de ter uma mulher ocupando o cargo de chefe do Ministério da Defesa", informou o especialista em questões do Oriente e representante da Escola Superior de Economia da Rússia Andrei Fesyun.

    Segundo ele, "a promoção posterior de Inada ao cargo de primeira-ministra é pouco provável", já que no Japão se formou uma fila de candidatos a esse posto. Segundo ele, o candidato mais provável é o atual secretário e chefe de gabinete Yoshihide Suga e o ministro das Relações Exteriores Fumio Kishida.

    Vale notar que na mídia ocidental Inada não é a única candidata ao cargo. Mas os jornalistas americanos preferem exclusivamente mulheres, pois para cada mulher que consegue ocupar algum cargo político eles preveem que ela depois ocupe o posto de primeira-ministra. "Segundo a revista Time", se podemos nos expressar assim, a próxima primeira-ministra será Renho Murata, enquanto algum tempo atrás a CNN "apostava" na nova prefeita de Tóquio Yuriko Koike.

    Sem dúvida que a promoção de mulheres para as mais altas posições, chegando até Chefe de Estado, é uma importante tendência global. Mas não está claro porque se iniciou a busca de uma sucessora para Shinzo Abe, cujo mandato expira em dezembro de 2017. Também não se consegue perceber porque a mídia não tem interesse em procurar sucessores homens.

    Segundo Fesyun, essa circunstância tem a ver com o chamado "síndrome das eleições". Ele afirma que caso uma mulher se torne a primeira presidenta americana – o mesmo cenário é possível em relação ao Japão.

    É possível descobrir seja o que for na mídia ocidental sobre se Inada poderá se tornar primeira-ministra, até a possível propaganda camuflada de apelo ao voto a favor de Hillary Clinton. Mas não se consegue descobrir nenhumas previsões realistas.

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    Tags:
    sucessores, cargo, eleição, primeiro-ministro, Washington Post, Financial Times, Hillary Clinton, Shinzo Abe, Rússia, Tóquio, Japão
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