13:30 17 Fevereiro 2020
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    A primeira reunião marcada entre o novo presidente filipino e o presidente norte-americano não será realizada, informou a Reuters citando uma declaração da Casa Branca. O encontro foi marcado para 6 de setembro nas margens da cúpula da ASEAN em Vietiane, capital do Laos.

    Rodrigo Duterte chamou Barack Obama de "filho de p***" depois de ter vindo a saber que o último tenciona discutir no encontro o assassínio de mais de 2 mil pessoas no âmbito da luta contra narcotráfico no país no últimos meses.

    A mídia ocidental chamou a atenção para o fato de esta já não ser a primeira declaração escandalosa do presidente filipino. Em maio, ele chamou o Papa Francisco de "filho de meretriz" e, um pouco mais tarde, o embaixador norte-americano nas Filipinas, Philip Goldberg, de "homossexual".

    Obama soube dessa ofensa pouco antes do fim da cúpula do G20 em Hangzhou e ordenou aos seus assessores que informassem a parte filipina de que a reunião foi cancelada porque o tempo para negociações frutíferas já é uma coisa do passado.

    Mais tarde, Duterte lamentou ter dito estas palavras ofensivas sobre Obama, mas na opinião do professor do departamento de Política internacional da Universidade Estatal de Moscou, Aleksei Fenenko, este incidente terá efeito sobre a cúpula.

    O especialista pensa que este incidente não deteriorará os laços entre os dois países porque eles precisam um do outro.

    "Para as Filipinas os EUA são a única garantia de segurança nas relações com a China e na disputa em torno de mar do Sul da China. Para os EUA as Filipinas são uma posição estratégica no centro do oceano Pacífico. Não penso que entre Washington e Manila possa acontecer um conflito real. As Filipinas temem demasiado a China, em particular no contexto de disputa territorial, porque não permitirão à China lucrar com a situação", disse Fenenko.

    O professor do Centro das Relações Internacionais do Instituto chinês da mídia, Yang Mian, prevê consequências mais sérias do incidente para relações filipino-americanas.

    "Agora as consultas entre os dois países não podem continuar e o incidente pode ter efeitos sobre a cooperação. Além disso, este incidente pode provocar que a mídia e a comunidade dentro dos EUA comecem provocando uma deterioração nas relações filipino-americanas", disse.

    O presidente filipino não é tolerante a críticas. Depois de suas medidas contra as drogas ele condenou a ONU e ameaçou com a saída da organização, acrescentando que é uma intervenção nos assuntos internos do país.

    Na opinião do especialista Grigory Lokshin, tais ações do presidente filipino podem significar que ele tenta chegar a acordo com a China, mas é pouco provável que a China desista da sua posição na disputa no mar do Sul da China.

    Ao mesmo tempo, destaca o especialista Dmitry Mosyakov, existe a impressão que ambas as partes tentam resolver o problema de qualquer forma. Há alguns avanços para estabilizar a situação.

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    Tags:
    incidente, relações, declaração, palavras, Rodrigo Duterte, Barack Obama, Filipinas, China, EUA
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