01:20 17 Setembro 2019
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    Símbolo de risco de radiação (foto de arquivo)

    Como interpretar a Constituição do Japão para poder ter armas nucleares?

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    Ásia e Oceania
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    No âmbito da corrida pré-eleitoral, mais um político norte-americano fez uma declaração polémica. Em 15 de agosto, o vice-presidente dos EUA Joe Biden disse numa discussão com o presidenciável Donuld Trump: "Ele não compreende que nós escrevemos a Constituição do Japão para declarar que eles não podem ser uma potência nuclear?"

    A declaração podia ter passado despercebida, mas um portal japonês preparou uma reportagem sobre isso citando especialistas japoneses e norte-americanos e provando que Biden não teve razão. Como é a situação na realidade?

    "Não vejo nenhuma confusão nas declarações do vice-presidente Biden. É que os japoneses não gostam de saber isso porque essas declarações sublinham uma vez mais o estado do Japão como protetorado dos EUA <…>. O fato de que as disposições principais da Constituição do Japão foram escritas pela administração de ocupação norte-americana é um segredo conhecido de todos já há muito tempo <…>", disse o especialista em assuntos do Japão e historiador russo Anatoly Koshkin.

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    O analista duvida também que a Constituição japonesa permita ao país ter armas nucleares, porque o artigo 9 proíbe não somente armas nucleares, mas armas em geral.

    "<…> Diz que o povo japonês rejeita para sempre a guerra como direito soberano da nação", disse.

    Entretanto, especialistas destacam que os próprios norte-americanos fizeram muito para violar os princípios de desnuclearização.

    "Não é um segredo que já há muito tempo que há armas nucleares [no Japão], pelo menos, em Okinawa".

    Ao mesmo tempo, o diretor do Centro de Estudos do Extremo Oriente da Academia de Ciências da Rússia, Valery Kistanov, pensa que o Japão ter armas nucleares próprias é uma utopia.

    "Ninguém permitirá isso: nem a China, nem a Coreia do Sul, que também tem divergências com o Japão. A Rússia receberá essas tentativas de forma negativa. E os próprios EUA também. Porque isso significaria que o Japão não precisaria mais da sua tutoria e de seguir a linha política dos EUA", afirmou.

    É por isso que o Japão presta atenção a todas as declarações norte-americanas e espera sua decisão sobre o destino da possibilidade de vir a possuir suas próprias armas nucleares.

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    Tags:
    potência nuclear, constituição, armas nucleares, opinião, EUA, Japão
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