Apoiante de Jair Bolsonaro (PSL), no Rio de Janeiro, em 21 de outubro de 2018

'EUA são o país que têm maiores expectativas em relação a Bolsonaro', diz especialista

© REUTERS / Sergio Moraes
Análise
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Com 55,1% dos votos na pesquisa do segundo turno do domingo (28), o candidato de estrema direita Jair Bolsonaro foi eleito o novo presidente do Brasil.

Em debate com a Sputnik Internacional, o professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Maurício Santoro, comentou a eleição presidencial do país.

Perguntando sobre quais mudanças na política externa do Brasil devem ser esperadas, após a vitória de Bolsonaro, o especialista acha que o novo líder esteja "mais próximo dos Estados Unidos e especialmente de Donald Trump do que o atual governo".

"Ele provavelmente terá uma linha mais dura em relação à Venezuela porque acha que a Venezuela é um problema muito grande para a segurança regional do Brasil […] Por exemplo, ele tem criticado a China e os investimentos chineses no Brasil, mas muitas pessoas acreditam que ele vai mudar essa linha de discurso, porque a China é o maior parceiro comercial do Brasil e as grandes corporações econômicas provavelmente vão pressioná-lo por causa disso", disse o professor.

Segundo o especialista, o novo presidente é mais focado na segurança pública do que em assuntos que envolvem políticas econômicas, e é neste setor que possivelmente ocorrerá uma mudança.

Santoro acredita que as promessas de Bolsonaro sobre o afrouxando das leis públicas sobre armas, militarizando a polícia e permitindo que os policiais tenham mais liberdade para matar, piore a situação do país.  

"Você pode olhar para [presidente filipino] Duterte nas Filipinas para ver o que acontecerá no Brasil, mas a diferença aqui é que muitas pessoas acreditam que a Suprema Corte e o judiciário, tentarão quebrar algumas das propostas de Bolsonaro, especialmente relacionadas ao que os policiais podem ou não fazer", declarou.

Quanto às consequentes falhas nas políticas socialistas, o especialista ressalta que os brasileiros acreditam que estão "no meio dessa recessão muito forte por causa da corrupção dos políticos, especialmente das coisas erradas que o Partido dos Trabalhadores fez, que a esquerda fez, e isso se tornou uma narrativa muito importante nas eleições brasileiras. É uma das razões pelas quais tantos ex-eleitores de esquerda estão se voltando para a extrema direita nessas eleições, porque sentem que foram traídos por seus líderes e é um sentimento poderoso".

Questionado sobre as afirmações de alguns analistas financeiros que acreditam no beneficiamento da economia brasileira devido à vitória de Bolsonaro, o professor alega que apesar do novo presidente não entender muito sobre finanças, ele colocará a "administração econômica nas mãos de especialistas conservadores com uma abordagem neoliberal".

"As pessoas gostam da maneira como ele critica a esquerda, a maneira como ele diz que vai reformar as leis trabalhistas, então ele está basicamente usando o discurso do mercado superior para ganhar a confiança dos investidores e está funcionando."

Por não ter um forte compromisso com a reforma financeira e por fazer "comentários muito contraditórios sobre a economia, é realmente difícil saber qual será sua política econômica quando estiver no poder", diz.

Sobre o recente comentário do ex-embaixador dos EUA no Brasil Anthony Harrington, que classificou as eleições brasileiras como um buraco negro da diplomacia norte-americana, Santoro acredita que "os EUA são o país que têm maiores expectativas em relação a Bolsonaro, porque há algo coerente em seus pontos de vista: seu amor pelos Estados Unidos".

O professor conclui dizendo que o novo líder brasileiro fala sobre o país norte-americano com grande admiração, sugerindo que o Brasil deva seguir seu exemplo, o que acaba gerando grande animação nos americanos, pois ganham, dessa forma, um novo aliado latino-americano em meio a conflitos diplomáticos envolvendo imigração e negociações comerciais.

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Tags:
economia, eleitores, eleições, presidente, apoio político, Maurício Santoro, Donald Trump, Jair Bolsonaro, EUA, Brasil
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