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Especialistas revelam de quem o capital estrangeiro está com medo nessas eleições

Marcello Casal/Agência Brasil
Análise
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Segundo especialistas, os investidores devem aguardar o resultado das eleições e sinais mais claros da liderança eleita sobre o programa econômico a ser seguido pelo país.

A duas semanas do primeiro turno das eleições, os investidores estrangeiros parecem estar indecisos quanto aos investimentos no país. Apenas em agosto deste ano, deixaram de entrar US$ 9,8 bilhões na economia brasileira. 

O resultado negativo da conta financeira de agosto de 2018, que inclui investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamentos de juros, entre outras operações, é o maior desde março, quando o Governo de Michel Temer engavetou a Reforma da Previdência. 

Calcula-se que 70% da saída de capitais se devem à aproximação da eleição e ao quadro fiscal crítico do país.

O economista Sílvio Campos, sócio da Tendências Consultoria, concorda com essa avaliação. Para ele o processo eleitoral tem gerado muitas incertezas e muitos investidores temem um possível retrocesso na política econômica do país e que as reformas do atual governo não sejam levadas adiante.

Além da diminuição dos afluxos de capital, os preços do principais ativos brasileiros têm acompanhado a desvalorização do real, uma das moedas que perdeu mais peso no último período.

"A situação ainda está em aberto, bastante indefinida. Mas pelo que tem sido colocado pelas pesquisas, a perspectiva é de um afunilamento que os mercados não avaliam de uma forma muito positiva. Principalmente o eventual retorno de um governo mais à esquerda, que teve uma participação grande na piora que o país observou nesses últimos anos", afirmou o especialista.

O economista teme que, com o retorno de um governo de esquerda, impere um clima de insegurança jurídica, pois a reforma trabalhista poderá ser revertida e o atual controle de gastos públicos entre na mira. 

No caso da continuidade da atual agenda econômica, "mais liberalizante, mais pró-reformas", que busca uma maior estabilidade macroeconômica, o sócio da Tendências Consultoria avalia um crescimento aproximado de 3% anuais nos próximos quatro anos.

No caso da reversão das políticas atuais, "fatalmente" não haverá crescimento no ano que vem e um crescimento muito baixo nos próximos anos, com risco de desemprego.

Cautela dentro da normalidade

A economista Lia Valls, professora da FGV/RJ e da UERJ, por outro lado, acredita não haver motivo para espanto.

"É natural que os investidores, os estrangeiros também, fiquem mais cautelosos", acrescentou.

Esse indicador é esperado, tendo em vista as incertezas com o resultado eleitoral.

"Independente de quem for eleito, não será uma reeleição. Os investidores não sabem como será a gestão de nenhum deles. Então os investidores demonstram cautela", explicou.

Segundo a professora, PT tem diversas agendas disputando dentro do partido e ninguém sabe qual delas vai prevalecer. Quanto à agenda do candidato do PSL, que se apresenta como liberal, também há dúvidas.

A clareza só virá depois da eleição "com a divulgação da agenda e nomeação de ministros", no final do ano e depois das coalizões começarem a se formar no Congresso.

"O investidor estrangeiro sempre espera para ter uma visão de longo prazo. No entanto, o Brasil tem um mercado interno grande. E independente de quem for eleito, este não deve tomar uma atitude contra o capital estrangeiro, essa não é nossa tradição. A nossa economía às vezes pode ser mais protecionista, ou em termos de tarifas de importação, mas em relação ao investidor estrangeiro sempre fomos uma economia relativamente aberta", explicou a interlocutora da Sputnik Brasil.

Uma coisa é certa para todos. "A gente precisa de investimento estrangeiro", porque a poupança doméstica brasileira é muito baixa, então o papel do investimento estrangeiro tradicionalmente sempre foi importante. Ainda mais em um período de baixo investimento público", assegurou Valls.

Além disso, para ela a economia precisa voltar a crescer um pouco, além da questão eleitoral, pois sem garantia de retorno ninguém investe. 

Sílvio Campos também acredita em um panorama mais claro para os investidores depois da eleições.

"O Brasil é um país que tem muitas oportunidades e atratividade para inverstimentos estrangeiros em especial. E tem muitas carências também. Ou seja, se o Brasil indicar um caminho bom, previsível e confiável, com pessoas de credibilidade, fatalmente teremos investimentos no próximos anos", disse ele. 

"A grande questão é exatamente esta: qual será o caminho adotado pelo próximo governo. Até que isso fique realmente claro, é natural que os investidores mantenham uma postura mais defensiva", concluiu.

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