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    Após a invasão do Afeganistão liderada pelos EUA em 2001, como resposta aos ataques de 11 de setembro, quase 800 suspeitos por tamanho incidente foram capturados, muitos deles com a ajuda de caçadores de recompensas.

    O ex-presidente George W. Bush, por sua vez, decidiu criar um campo de detenção em Guantánamo, um território americano em Cuba.

    Contudo, durante sua presidência Washington não conseguiu capturar Osama bin Laden que, por seu lado, se escapuliu para o Paquistão.

    No entanto, os EUA tiveram sucesso na captura de 779 indivíduos que, alegadamente, eram suspeitos de serem terroristas da Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países). Alguns deles foram capturados no Afeganistão, outros foram encontrados no norte do Paquistão ou ainda mais longe, tendo sido entregues por caçadores de recompensas, a quem foi prometido US$ 5 mil (cerca de R$ 26,6 mil) por cabeça.

    A Casa Branca não queria construir uma prisão no Afeganistão, mas também não queria trazer tais indivíduos para os EUA, onde teriam direito a advogados, bem como outros direitos humanos básicos. Em vez disso, os colocou em vários "locais secretos" em países aliados, como Egito, Marrocos e Polônia, onde os suspeitos de terrorismo e seus cúmplices não teriam tais condições.

    Lei e veracidade

    Um dos detentos torturados, Ibn al-Shaykh al-Libi, capturado no Egito, disse a seus captores que Saddam Hussein teria ligações com a Al-Qaeda.

    Esta "peça de inteligência" foi utilizada pelo secretário de Estado dos EUA da época, Colin Powell, em um discurso à ONU para justificar a proposta de invasão do Iraque.

    Mais tarde, quando questionado sobre sua mentira, al-Libi teria dito a seus captores que sabia que isso iria parar com a tortura.

    A administração Bush disse que julgaria os detentos em comissões militares especiais, que não estariam sujeitas à lei norte-americana.

    Em 2006, o Supremo Tribunal dos EUA disse que essas comissões militares eram ilegais, mas isso não deteve a administração republicana.

    No final, Bush acabaria por liberar 532 dos detidos e Obama – que prometeu em janeiro de 2009 encerrar a prisão de Guantánamo – liberou outros 197. A maioria dos detentos liberados foi enviada de volta para seus países.

    Em 2018, o ex-presidente Donald Trump – que liberou apenas um detento de Guantánamo em seus quatro anos de mandato – ordenou ao Pentágono que "reexaminasse" a política de detenção militar.

    Quem são os restantes 39 detentos?

    Até hoje ainda há 39 detentos em Guantánamo. Entre eles se encontra Khalid Sheikh Mohammed, que foi capturado pela polícia paquistanesa em 2003 e é suspeito de ter idealizado os eventos do 11 de setembro.

    Mohammed, agora de 57 anos, deve ser julgado em novembro deste ano e, se condenado pela comissão militar, poderá enfrentar a pena de morte. Ele tem quatro coarguidos: Walid bin Attash, Ammar al-Baluchi, Mustafa al-Hawsawi e Ramzi bin al-Shibh, que também são detentos de Guantánamo.

    Outros dois grandes nomes são Abu Faraj al-Libi e Abu Zubaydah. Al-Libi, de 50 anos, foi, supostamente, o terceiro no comando da Al-Qaeda entre 2003 e 2005. Ainda nenhuma data foi marcada para seu julgamento.

    Abu Zubaydah, nascido em Riad em 1971 de pais palestinos, é considerado pela CIA como um dos principais tenentes de bin Laden, entretanto, agora há a informação de que está mentalmente doente, possivelmente como resultado da tortura.

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    Tags:
    EUA, Guantánamo, detentos, Al-Qaeda, tortura, lei
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