01:35 21 Junho 2021
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    989
    Nos siga no

    A pena de morte no estado norte-americano do Arizona prevê o uso de injeção letal ou asfixia, e documentos examinados pelo jornal The Guardian apontam que o cianeto de hidrogênio será opção para o último método.

    O estado do Arizona, EUA, está se preparando para matar condenados à morte usando cianeto de hidrogênio, o mesmo gás usado pelos nazistas para exterminar pessoas no campo de concentração em Auschwitz, na Polônia, revela na sexta-feira (28) o jornal The Guardian.

    Segundo os documentos obtidos e publicados pela mídia, o departamento de correções do Arizona gastou mais de US$ 2.000 (aproximadamente R$ 10.452,40) para obter ingredientes para o gás, incluindo cianeto de potássio, hidróxido de sódio e ácido sulfúrico, que serão usados na câmara de gás do Complexo Penitenciário Estadual do Arizona (ASPC-Florença, na sigla em inglês).

    Assim, as autoridades locais estão tomando várias medidas para renovar o ASPC-Florença, que tinha quase caído em desuso nos últimos 22 anos, incluindo selar janelas e portas, desentupir drenos, e usar uma granada de fumaça para testar os químicos fatais.

    No entanto, o jornal britânico também aponta métodos "espantosamente primitivos", tais como verificar a presença de infiltrações de gás com uma vela.

    Pena da morte no Arizona

    O ASPC-Florença foi construída em 1949. O The Guardian revelou em abril de 2021 que o Arizona gastou US$ 1,5 milhão (R$ 7,84 milhões) para adquirir pentobarbital, um sedativo que o complexo penitenciário espera usar como seu principal método de injeção letal.

    A última vez que o estado norte-americano aplicou a pena de morte foi durante uma injeção letal mal executada em 2014. O jornal Tucson Citizen escreveu em 1999 um relato de execução por asfixia nesse ano de um homem condenado à morte em 1982 por um assalto fracassado a um banco, durante o qual réu demonstrou "asfixia agonizante e sufocamento", e levou 18 minutos para morrer.

    O último caso de injeção letal no ASPC-Florença também provou ser pouco "humano", segundo o The Guardian, com a morte se estendendo por duas horas através do uso de 15 doses de uma então pouco utilizada mistura de drogas injetáveis letais. Segundo uma testemunha contou à mídia, o condenado suspirou e engoliu ar 660 vezes.

    Os dois primeiros dos 115 condenados à morte terão a escolha entre os dois métodos, escreve o jornal.

    Mais de um milhão de pessoas foram assassinadas por cianeto de hidrogênio em câmaras de gás em Auschwitz, na então Polônia ocupada pelos nazistas, e em outros campos de extermínio.

    "Você tem que se perguntar o que Arizona estava pensando ao acreditar que em 2021 é aceitável executar pessoas em uma câmara de gás com gás de cianeto. Alguém estudou a história do Holocausto?", perguntou Robert Dunham, diretor-executivo do Centro de Informações sobre a Pena de Morte dos EUA.

    Mais:

    Kim Jong-un executou membro do MRE por equipamento errado para hospital, diz ONG apoiada pela CIA
    Coreia do Norte executa capitão de barco por ouvir 'estação de rádio proibida', revela mídia
    Irã executa acusado de informar para CIA paradeiro do general Soleimani
    Supremacista branco será executado nos EUA por assassinato brutal de homem negro
    Tags:
    Polônia, Auschwitz, The Guardian, EUA, Arizona
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar