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    Hoje a segurança digital é uma desafio para todo o mundo, especialmente para as organizações militares, uma vez que é difícil monitorar as ações dos soldados nas redes sociais e outros aplicativos.

    Neste aspecto, as Forças Armadas dos EUA parecem ter um longo histórico de expor acidentalmente informação classificada sobre o desenvolvimento e a posse de suas armas.

    Flashcards facilmente acessíveis, usados pela Força Aérea dos EUA e utilizados para ajudar os soldados a memorizarem os protocolos de segurança nuclear, expuseram informações confidenciais relacionadas aos locais e medidas de proteção dos abrigos de armas nucleares em todas as seis bases militares norte-americanas na Europa, revelou uma investigação jornalística, publicada no site britânico Bellingcat, na sexta-feira (28).

    Flashcards são pequenos cartões com uma pergunta na frente e uma resposta no verso. A técnica de flashcards é muito recorrente no estudo de idiomas ou fórmulas.

    O relatório revelou que os cartões em causa foram criados em aplicativos como Chegg Prep, Quizlet e Cram. Acredita-se que a matéria investigativa não só revelou a localização das bases, mas também a existência de abrigos rotulados de "cofres quentes", suspeitos de conterem armas nucleares.

    As tropas também usaram estes cartões para memorizarem detalhes e protocolos de segurança, tais como as posições das câmeras de vigilância, a frequência das patrulhas ao redor dos abrigos, palavras secretas de coação que sinalizam quando um guarda está sendo ameaçado e os identificadores únicos que um crachá de área restrita precisa ter.

    "Quais são as palavras de coação?"
    "Qual é a senha e contrassenha?"

    Especialistas abordados pelo Bellingcat disseram que estas descobertas representam violações graves dos protocolos de segurança, e levantam novas questões sobre a implantação de armas nucleares dos EUA na Europa.

    Há relatos de que alguns dos flashcards descobertos durante o curso da investigação tinham estado visíveis publicamente on-line já em 2013, e estavam disponíveis até abril de 2021. De acordo com o pesquisador da Bellingcat Foeke Postma, "não se sabe se as frases secretas, protocolos ou outras práticas de segurança foram alterados desde então".

    Jeffrey Lewis, editor-fundador do portal ArmsControlWonk.com, e diretor do Programa de Não-Proliferação do Leste Asiático no Centro James Martin para Estudos de Não-Proliferação, informou ao Bellingcat que as descobertas mostram uma "violação flagrante" nas práticas de segurança relacionadas com armas nucleares americanas estacionadas internacionalmente.

    "O sigilo sobre o lançamento de armas nucleares dos EUA na Europa não existe para proteger as armas de terroristas, mas apenas para proteger os políticos e líderes militares de terem que responder a perguntas difíceis sobre se os acordos de compartilhamento de armas nucleares da OTAN ainda fazem sentido hoje", explicou Lewis, citado no Bellingcat.

    Do lado da Força Aérea estadunidense, um de seus porta-vozes confirmou que estavam cientes da utilização de aplicativos flashcard pelas suas tropas para fins de estudo, e que de momento se encontram "investigando a natureza das informações compartilhadas por meio de cartões de estudo."

    Acontecimentos como o descrito contribuem para o aumento de tensões entre os líderes políticos e cidadãos europeus, pois os últimos temem que a presença de armas nucleares no continente europeu represente um perigo maior do que todas as promessas de segurança trazidas por tal armamento.

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    Tags:
    informações secretas, armas nucleares, OTAN, Europa, EUA
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