10:57 13 Abril 2021
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    Até o momento, os EUA já impuseram duas rodadas de sanções ao Nord Stream 2, com as restrições ameaçando as empresas que trabalham na rede de gasodutos com consequências "esmagadoras e potencialmente fatais".

    Os EUA vão impor mais sanções contra o projeto do gasoduto Nord Stream 2 (Corrente Norte 2) se for determinado que a atividade de construção "atinge o limite para sanções", indicou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price.

    "O presidente dos EUA, o secretário [de Estado norte-americano] Blinken, [e] outros neste governo deixaram inconfessa e inequivocadamente claro que Nord Stream 2 é uma má ideia. Vai contra os próprios interesses energéticos declarados da Europa. Isso vai contra nossos interesses na região também", afirmou Price durante coletiva de imprensa na quinta-feira (11).

    Destacando as diretrizes exigidas pelo Congresso, que exigem que o presidente mantenha o Congresso informado sobre os desenvolvimentos relacionados ao Nord Stream 2 a cada 90 dias, o porta-voz explicou que "durante esse período de 90 dias, continuaremos a avaliar a atividade de colocação de dutos em andamento na região".

    Gasoduto Nord Stream  lançado na Alemanha
    © Sputnik / Grigoriy Sisoev
    Gasoduto Nord Stream lançado na Alemanha
    "Se esta atividade atinge o limite para sanções, não tenho dúvidas, vocês não deveriam ter dúvidas, de que este governo seguirá a lei. E se a lei estabelece que as entidades devem ser sancionadas por sua atividade de colocação de dutos, suspeito que você ouvirá mais sobre isso de nós", prometeu Price.

    Pressão para sanções

    Recentemente, um grupo de membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara norte-americana apelou a Blinken para impor novas sanções ao Nord Stream 2. Os legisladores expressaram profunda preocupação de que as "fortes declarações do governo Biden em oposição ao gasoduto não estejam sendo acompanhadas por ações igualmente fortes", escreveram em carta divulgada na segunda-feira (8).

    A missiva foi divulgada dias após um grupo de 40 senadores republicanos ter enviado ao presidente Joe Biden uma carta pedindo-lhe que impusesse sanções adicionais ao Nord Stream 2, alegando que o projeto viola as leis dos EUA e alertando que o tempo estava se esgotando para interromper a construção do gasoduto.

    Na quarta-feira (10), Blinken disse aos legisladores que a Casa Branca "analisaria com muito cuidado" se a Nord Stream 2 AG, operadora do projeto do gasoduto, estava se envolvendo em qualquer "atividade sancionável". O secretário de Estado norte-americano acrescentou que os EUA buscam outros possíveis alvos de sanções, com esse processo em andamento desde fevereiro.

    Novo secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken
    © AP Photo / Susan Walsh
    Novo secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken

    Penalidades 'esmagadoras'

    O projeto Nord Stream 2 prevê a construção de duas linhas de um gasoduto com uma capacidade total de 55 bilhões de metros cúbicos de gás por ano da costa russa através do mar Báltico até a Alemanha. Até o momento, os EUA já impuseram duas rodadas de sanções ao Nord Stream 2.

    Essas sanções levaram a AllSeas, uma empreiteira de construção com sede na Suíça, a desistir do projeto, afirmando que as penalidades eram "esmagadoras e potencialmente fatais" contra a empresa. Outras empresas também interromperam seu envolvimento em meio a temores de retaliação de Washington.

    Os principais patrocinadores do projeto, incluindo a empresa de energia russa Gazprom e cinco empresas de energia da Europa Ocidental, mantiveram seus compromissos, e Moscou indicou que as empresas que desistirem podem ser substituídas por análogas russos, aparentemente indiferentes à perspectiva de ameaças de sanções dos EUA.

    No mês passado, os ministros das Relações Exteriores da Polônia e da Ucrânia instaram o presidente dos EUA a fazer o possível para "pôr fim" ao projeto do gasoduto Nord Stream 2.

    A Alemanha tem rejeitado repetidamente a perspectiva de novas sanções extraterritoriais contra o projeto, chamando os esforços dos EUA e aliados nessa direção de uma "usurpação da soberania" e alertando que está coordenando de perto a questão com seus parceiros da União Europeia.

    Autoridades da Rússia criticaram as restrições, com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, sugerindo que as sanções não apenas violam o direito internacional, mas são um caso de "concorrência desleal" e uma tentativa de intimidar a Europa a comprar gás norte-americano, que é mais caro. A Rússia tem alertado repetidamente contra a politização do que considera um projeto puramente econômico.

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    Tags:
    Rússia, gasoduto, Alemanha, EUA, Nord Stream 2
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