05:14 11 Abril 2021
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    7141
    Nos siga no

    Analista política sustenta que a relação entre EUA e Venezuela e o incentivo norte-americano a eleições democráticas têm interesse apenas em usurpar os recursos do país sul-americano.

    A analista internacional Laila Tajeldine, em entrevista à Sputnik, disse acreditar que a conversa entre o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o político venezuelano autodeclarado presidente interino, Juan Guaidó, demonstra que o governo de Joe Biden continuará usando o ex-deputado venezuelano em uma tentativa de "roubar todos os recursos" de que a Venezuela dispõe no exterior.

    Na terça-feira (2), Blinken conversou por telefone com Guaidó e reiterou que o governo dos Estados Unidos apoia a pressão sobre o presidente Nicolás Maduro, com aliados como a União Europeia, o Grupo de Lima, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Grupo de Contato Internacional.

    "Os Estados Unidos seguem completamente a Citgo [subsidiária da Petróleos de Venezuela], que ainda está em trâmite judicial, e a figura de Guaidó lhe permite reter ativos venezuelanos no exterior", afirmou a analista, que também acredita que o venezuelano será descartado após os EUA alcançarem seus objetivos.

    Para Tajeldine, a posição de Washington não surpreende Caracas, pois antes da posse de Biden, o atual secretário de Estado já havia dito que continuaria apoiando a política assumida pelo ex-presidente Donald Trump.

    Em janeiro, Maduro declarou expectativas de mudança nas relações com os norte-americanos "com base no respeito mútuo, no diálogo, na comunicação e na compreensão" após a chegada de Biden à presidência.

    Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, usa máscara protetora ao chegar em coletiva de imprensa no Palácio Presidencial de Miraflores, Caracas, Venezuela, 8 de dezembro de 2020
    © AP Photo / Matias Delacroix
    Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, usa máscara protetora ao chegar em coletiva de imprensa no Palácio Presidencial de Miraflores, Caracas, Venezuela, 8 de dezembro de 2020

    No entanto, a analista considerou que nos EUA existe um setor que não apoia a proposta de Maduro, porque aposta na desestabilização da Venezuela para se apoderar de seus recursos.

    "O lobby econômico dos Estados Unidos opta antes pela desestabilização ou destruição das instituições e do Estado na Venezuela, e esse lobby é o que está dizendo que uma Venezuela destruída é mais conveniente, um Estado falido ao qual podem chegar por meio de intervenção e roubar todos os recursos", racionaliza Laila Tajeldine.

    Em seu diálogo com Guaidó, Blinken também destacou a "importância de um retorno à democracia na Venezuela por meio de eleições livres e justas". Nesse sentido, a analista internacional destacou que a convocação de eleições se apresenta como um discurso repetitivo e desgastado utilizado pelos EUA para ganhar tempo e justificar suas ações na tentativa de usurpação dos bens do país sul-americano.

    O governo venezuelano reiterou que os Estados Unidos roubaram mais de 30 bilhões de dólares com a imposição de medidas coercitivas, o que o impede de qualquer tipo de financiamento. O Executivo venezuelano pediu o cancelamento das sanções econômicas para enfrentar a pandemia da COVID-19 e poder obter gratuitamente vacinas, suprimentos e medicamentos.

    Mais:

    União Europeia deixa de reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela
    EUA emitem licença que permite transações com Guaidó
    Em reunião digital, Maduro e Bachelet debatem os direitos humanos na Venezuela
    Guedes diz que Brasil pode virar Argentina ou Venezuela: 'É graças a ele', avalia economista
    Tags:
    interesses, democracia, recursos, EUA, Venezuela
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar