02:00 01 Março 2021
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    2272
    Nos siga no

    A guerra comercial promovida pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China foi um fracasso em todos os sentidos, de acordo com o portal de notícias norte-americano Axios.

    Ao comentar a intenção do atual presidente dos EUA, Joe Biden, de revisar o acordo comercial entre EUA e China, o artigo publicado pelo site disse que, com base em dados disponíveis publicamente, "é difícil imaginar que eles encontrarão outra coisa senão um desastre" na economia dos EUA.

    A matéria informa que um estudo recente, encomendado pelo Conselho de Negócios entre EUA e China, conclui que "a guerra comercial contra a China prejudicou a economia dos EUA e não conseguiu atingir os principais objetivos políticos" a que se destinava. O mesmo estudo diz que as decisões tomadas por Trump reduziram o crescimento econômico do país e custaram aos Estados Unidos 245 mil postos de trabalho.

    Xi Jinping, presidente da China, à direita, aperta a mão de Joe Biden, então vice-presidente dos EUA, no Grande Salão do Povo de Pequim
    © AP Photo / Lintao Zhang
    Xi Jinping, presidente da China, à direita, aperta a mão de Joe Biden, então vice-presidente dos EUA, no Grande Salão do Povo de Pequim

    A guerra comercial, de acordo com a matéria do Axios, tinha o objetivo de "colocar a China de joelhos diante dos EUA", impondo tarifas de 25% sobre muitas importações que deveriam, entre outras consequências, conter o déficit comercial norte-americano e impulsionar as exportações do país.

    No entanto, o que realmente aconteceu foi que o déficit comercial dos EUA aumentou para o maior patamar já registrado: no quarto trimestre, os índices atingiram a maior parcela em relação ao PIB do país desde 2012. Além disso, o investimento estrangeiro direto nos Estados Unidos caiu 49% em 2020, superando a média de queda global de 42%.

    "As tarifas forçaram as empresas norte-americanas a aceitar margens de lucro mais baixas, cortar salários e empregos para os trabalhadores do país, adiar potenciais aumentos ou expansões salariais e aumentar os preços para consumidores ou empresas norte-americanas", disseram analistas da Brookings Institution, citados pela Axios.

    Todos esses números, segundo o site, começaram a aparecer em 2017, e a pandemia de COVID-19 confirmou a tendência, já que a política de Trump no combate ao novo coronavírus não foi capaz de conter o aumento de contaminações e não tirou a economia dos EUA da recessão.

    Funcionários organizam bandeiras dos Estados Unidos e China antes de sessão de negociações
    © AP Photo / Mark Schiefelbein
    Funcionários organizam bandeiras dos Estados Unidos e China antes de sessão de negociações

    O governo Biden terá a missão de reconstruir a relação dos Estados Unidos com a China, abalada após o governo Trump. Nesta terça-feira (2), o renomado diplomata chinês Yang Jiechi pediu que China e Estados Unidos restaurem seu relacionamento com um desenvolvimento previsível e construtivo.

    Segundo Wendy Cutler (antiga negociadora de comércio internacional norte-americana), o comércio fará parte da política de negociações do presidente norte-americano Joe Biden com a China, mas não será a força motriz nas relações EUA-China.

    Mais:

    Além de fã de Trump, não se sabe o que Bolsonaro pensa de política externa, diz especialista
    Congresso dos EUA critica argumento de Trump e pressiona por impeachment
    China desmantela rede que vendia vacinas falsas: 'imunizantes' eram apenas água e sal
    China oferecerá 10 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 ao COVAX
    Tags:
    comércio exterior, relações econômicas, Xi Jinping, China, Estados Unidos, economia, Joe Biden, Donald Trump
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar