02:44 09 Março 2021
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    Yacsy Alexandra Álvarez Mirabal, cidadã venezuelana detida na Colômbia por participar da Operação Gedeon, afirmou que a inteligência colombiana esteve "sempre atenta" aos detalhes da incursão marítima falha em território venezuelano em 3 de maio de 2020.

    A Operação Gedeon seria uma ação planejada pelos EUA e a Colômbia, e executada por uma empresa de segurança americana, supostamente, contratada pelo oposicionista Juan Guaidó que, por sua vez, nega qualquer tipo de participação na operação em causa, segundo as investigações feitas pela Venezuela. O objetivo seria derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, levá-lo para território norte-americano e, por fim, instaurar um novo governo na nação caribenha.

    De La Picaleña, prisão colombiana onde se encontra reclusa, Yacsy Álvarez contou ao jornal colombiano Noticias Caracol que tanto ela como Cliver Alcalá, general venezuelano foragido da Justiça por acusações de liderar a operação, mantiveram comunicação permanente com a Divisão Nacional de Inteligência (DNI) da Colômbia. "Claro que [pelo DNI] eles sabiam da operação."

    Segundo a detida, um funcionário da DNI, chamado Franklin Sánchez, lhe dava indicações constantemente. "Me deram o número de telefone desse homem, me disseram que meu nome de contato seria Rosa, que qualquer coisa que eu precisasse ou em qualquer emergencial, [deveria entrar] em contato com ele", citada pela mídia.

    No entanto, foi esse mesmo funcionário que a entregou à Justiça, acusando-a de ajudar Cliver Alcalá no treinamento e financiamento do grupo de ex-militares e ex-policiais venezuelanos que comandavam a incursão. Além disso, Yacsy foi apontada como peça-chave para o transporte das armas utilizadas na operação.

    Segundo Yacsy Álvarez, antes disso, a DNI mantinha contato constante com ela. "Eles próprios confirmaram mais uma vez que as FAES [Forças de Ações Especiais da Venezuela] estavam me procurando. Quando nos reunimos, ele me mostrou duas fotos das duas pessoas que me procuravam. Disse-me que trocasse o chip, não ligasse constantemente, que tomasse cuidado", citada pelo jornal colombiano. 

    Para suportar sua versão, a defesa de Yacsy Álvarez conta com um documento emitido em 6 de agosto – um mês antes de sua captura – e assinado pelo diretor de inteligência e contraespionagem da DNI, Jorge Miguel Padilla Ruiz, requerendo ao procurador do caso, Carlos Roberto Izquierdo Ortegón, "proteção" para Álvarez.

    Para o advogado de Yacsy, Alejandro Carranza, após a Rússia ter denunciado os EUA e a Colômbia perante o Conselho de Segurança da ONU por orquestrar, ou tolerar, tamanho ataque contra a Venezuela, a DNI considerou necessário realizar algumas detenções para, no fundo, limpar sua imagem.

    Yacsy foi capturada em solo colombiano em 3 de setembro de 2020, com outros três desertores venezuelanos em fuga. "Eles capturam os irmãos Sequea, o sr. Russo e Yacsy, escolhendo colocar a mais inocente de todos, Yacsy, como cabeça", afirmou Carranza, garantindo que foi tudo "uma armadilha" da DNI.

    Os outros três detidos, por meio do advogado Eduardo Céspedes, ex-líder do partido político de oposição venezuelano Primeiro Justiça (PJ), estão negociando um "pré-acordo" com a Justiça colombiana. Porém, Yacsy ainda não recebeu nenhuma resposta, e por isso decidiu tornar sua versão pública.

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    Tags:
    operação, Nicolás Maduro, Colômbia, EUA, Venezuela
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