12:43 17 Abril 2021
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    Segundo Gary Locke, que foi embaixador dos EUA na China de 2011 a 2014 durante a administração Obama, o evento minou os repetidos sermões declarados por Washington sobre democracia para outras nações.

    "A China zomba de nós e diz que nós não representamos o modelo de democracia, civilidade e estabilidade sobre os quais sempre temos ensinado o resto do mundo a abraçar", contou o ex-embaixador Gary Locke à CNBC na quinta-feira (7), um dia após violento grupo de manifestantes invadirem o Capitólio, deliberadamente, ocupando ambas as câmaras do Congresso e danificando o edifício ao longo do caminho.

    "Durante muito tempo, nós sempre pregamos a outros países a defesa do Estado de Direito, assim como a permissão para que governos transfiram o poder após uma eleição, para garantir que os militares não intervenham e derrubem governos só porque eles não gostaram [do resultado] da eleição", disse o ex-embaixador. Segundo Locke, agora são outras nações que estão "pregando" os Estados Unidos.

    "Agora, temos todos estes outros países de todo o mundo [...] expressando inquietação sobre o que aconteceu nos EUA, incitando os norte-americanos a observarem o Estado de Direito e a respeitarem a transferência de poder pacífica conforme as eleições", adicionou o antigo funcionário democrata.

    Reação da China

    Seguindo os tumultos caóticos no principal corpo legislativo dos EUA, que testemunhou os manifestantes sentando confortavelmente na mesa da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, tirando selfies e transformando o prédio em uma bagunça total, o tabloide chinês Global Times publicou uma comparação lado a lado das cenas da invasão do Conselho Legislativo de Hong Kong, em julho de 2019, com os protestos em Washington.

    ​A presidente [da Câmara] Pelosi uma vez se referiu aos tumultos de Hong Kong como "uma bela vista para se contemplar" - ainda não se sabe se ela vai dizer o mesmo sobre os recentes acontecimentos no Capitólio.

    O Ministério das Relações Exteriores da China está na mesma linha, com a porta-voz, Hua Chunying, observando durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7), que havia uma grande diferença na escolha das palavras usadas pela mídia norte-americana ao cobrir os protestos de Hong Kong e os de Washington.

    "[...] É tão óbvio o contraste [nas reações], as razões por trás disso nos faz ponderar, merece uma reflexão séria e profunda", adicionou a porta-voz.

    O evento de quarta-feira (6) provocou alterações drásticas de humor nos Estados Unidos. Uma série de deputados do Congresso apelaram ao vice-presidente Mike Pence para inovar a 25ª emenda e destituir o presidente Donald Trump, apenas 13 dias antes de seu mandado presidencial acabar.

    Trump, que anunciou à multidão em Washington que ele "nunca" concederia a eleição de Joe Biden horas antes dos protestos saírem fora de controle, publicou um vídeo na quinta-feira (7), criticando as manifestações e confirmando que a transição "suave" do poder para o próximo presidente dos EUA acontecerá em 20 de janeiro.

    Segundo relatos, quatro manifestantes e um policial morreram como resultado dos tumultos, outras dezenas ficaram gravemente feridos.

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    Tags:
    Donald Trump, Capitólio dos EUA, EUA, China
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