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    Um veterano norte-americano da Guerra do Vietnã criticou a concessão de perdão a militares que participaram do assassinato de 14 civis iraquianos em 2007.

    A decisão de Donald Trump, presidente dos EUA, de perdoar militares terceirizados responsáveis por um massacre civil em Bagdá, Iraque, é ofensiva e prejudicial tanto para o povo iraquiano quanto para os soldados americanos, afirmou Gerry Condon, veterano norte-americano da Guerra do Vietnã, à Sputnik.

    "O perdão do presidente Trump aos assassinos em massa condenados acrescenta sal às feridas do povo do Iraque, que perdeu centenas de milhares de entes queridos como resultado da guerra e ocupação injusta e ilegal dos EUA", disse Condon, ex-presidente da organização Veteranos pela Paz.

    "Perdoar criminosos de guerra também acrescenta sal às feridas dos veteranos americanos que lutaram no Iraque e no Afeganistão, e que carregam o trauma de terem testemunhado atrocidades contra civis inocentes."

    Condon sublinhou que existem "regras de combate" que os soldados devem seguir a fim de evitar crimes de guerra.

    "Mas estas regras são frequentemente desconsideradas quando se pede aos soldados que lutem em guerras insuperáveis contra populações inteiras", apontou.

    "Jovens soldados com armas letais são vencidos pelo medo, vingança, racismo e ódio, e sabem que não haverá preço a pagar por assassinato."

    O fato de o presidente dos EUA ter perdoado alguns militares que foram responsabilizados por crimes imperdoáveis no Iraque envia a mensagem errada e deve ser rejeitado, ponderou o veterano.

    "Os soldados têm o direito e a responsabilidade de recusar ordens ilegais para matar civis inocentes ou de participar de guerras ilegais e desnecessárias", apontou.

    A organização Veteranos pela Paz continua exigindo a retirada de todas as tropas e mercenários norte-americanos do Iraque, Afeganistão, Síria e de todo o Oriente Médio e África, e também perdão a indivíduos como Julian Assange, Chelsea Manning e Edward Snowden, ou a prisioneiros políticos como Leonard Peltier e Mumia Abu Jamal, acrescentou Condon.

    Na terça-feira (22), Trump concedeu perdão a, entre outras pessoas, quatro militares da Blackwater, uma empresa militar privada dos EUA, condenados em conexão com a morte em 2007 de 14 civis iraquianos, incluindo duas crianças, na Praça Nisour, em Bagdá, Iraque. Atualmente a organização tem o nome de Academi.

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    Tags:
    Bagdá, Sputnik, Guerra do Vietnã, Donald Trump, Edward Snowden, Chelsea Manning, Julian Assange, África, Oriente Médio, Síria, Afeganistão, Iraque, EUA
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