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    Na quarta-feira (23), os norte-americanos enfrentaram risco de paralisação do governo perante pandemia, uma vez que Trump, zangado com seus partidários no Congresso, exigiu mudanças drásticas em um pacote de ajuda financeira.

    O pacote de US$ 2,3 bilhões (R$ 12 bilhões) para aliviar a crise do coronavírus passou pelas duas câmaras do Congresso na segunda-feira (21), após meses de negociações entre republicanos e democratas.

    A quantia também compreende o pagamento de operações do governo até setembro de 2021, por isso, se o presidente Donald Trump bloquear o pacote, grande parcela do governo dos EUA enfrentará paralisação na próxima semana por falta de verba, considera a Reuters.

    Segundo Trump, o projeto aprovado pelo Congresso não prestou apoio suficiente às pequenas empresas. Em um vídeo compartilhado nas redes sociais no dia 23 de dezembro, Trump anunciou: "Estou solicitando ao Congresso para emendar esta lei e aumentar os ridiculamente baixos US$ 600 [R$ 3.130] para US$ 2.000 [R$ 10.433], ou US$ 4.000 [R$ 20.866] para um casal."

    O presidente não disse diretamente que vetaria a medida, aparentemente mantendo a esperança de que o Congresso modificasse o pacote que levou meses para ser negociado. Como o Congresso deve entrar em recesso no final do ano, o projeto de lei seria vetado automaticamente após 10 dias se Trump não tomar nenhuma medida, o que é conhecido como "veto de bolso".

    Consequências graves

    Um lapso de financiamento deixaria milhões de servidores federais e paralisaria vastas áreas do governo norte-americano em um momento de correria para distribuir duas vacinas contra COVID-19 e lidar com um ciberataque massivo, atribuído por norte-americanos à Rússia, que nega tais acusações.

    Além do mais, o veto do pacote pode atrasar auxílio para 40 milhões de famílias prestes a serem despejadas de moradias alugadas ou a serem demitidas de seus empregos, segundo o estudo do Instituto Aspen. Isso porque o projeto de lei prorroga uma moratória de despejos que expira no dia 31 de dezembro até o final de janeiro, e fornece US$ 25 bilhões em assistência emergencial para pagamentos de aluguéis.

    Pessoas fazem fila para receber gratuitamente caixas de alimentos de banco de alimentos em meio à pandemia da doença do coronavírus (COVID-19), em Nova York, EUA, 16 de novembro de 2020
    © REUTERS / Brendan McDermid
    Pessoas fazem fila para receber gratuitamente caixas de alimentos de banco de alimentos em meio à pandemia da doença do coronavírus (COVID-19), em Nova York, EUA, 16 de novembro de 2020

    Trump não gosta do pacote porque, segundo disposições da lei, seriam retirados os nomes dos generais que serviram a Confederação pró-escravatura das bases militares e não seriam revogadas as proteções de responsabilidade – sem relação com defesa – para mídias sociais como Twitter e Facebook, consideradas por Trump antipáticas com conservadores como ele.

    A Câmara dos Representantes, controlada pelos democratas, e o Senado, controlado pelos republicanos, aprovaram o projeto com amplo apoio bipartidário, e poderiam voltar a Washington para ultrapassar veto se necessário.

    Democratas dizem 'sim' à ideia de Trump

    Alguns democratas no Congresso, que viram o pacote de ajuda como resposta insignificante à crise que matou mais de 320 mil norte-americanos e jogou milhões de pessoas na rua, saudaram o movimento de Trump.

    Em particular, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, escreveu no Twitter, respondendo a Trump: "Sr. Presidente, assine a lei para manter o governo aberto! Apele a McConnell e McCarthy para concordar com o pedido de consentimento unânime democrata de US$ 2.000 de pagamento direto! Este pode ser feito até meio-dia na véspera do Natal!"

    As exigências de Trump colocam seus colegas republicanos em uma posição desconfortável. Muitos deles opuseram-se aos pagamentos que Trump está exigindo agora como demasiado altos, então eles teriam que desafiar o líder de seu partido ou mudar posicionamento.

    A Câmara planeja voltar em 28 de dezembro se Trump vetar o projeto de lei de defesa, no mesmo dia que o financiamento do governo deve expirar.

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    Tags:
    Congresso dos EUA, Donald Trump, eua
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