11:27 18 Maio 2021
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    Nova Assembleia Nacional na Venezuela vai ter maioria chavista em um contexto marcado pela difícil situação econômica do país.

    Segundo os dados oficiais, o chavismo ganhou a maioria da Assembleia Nacional nas eleições de 6 de dezembro. O resultado foi esperado até a madrugada, quando a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Indira Alfonzo, anunciou o primeiro boletim, com 82,35% dos votos apurados.

    Horas mais tarde, e já com 98,63% dos votos contados, a funcionária ofereceu o segundo boletim oficial, que revelou a participação de 30,5%, com um total de 6.251.080 votos do total de 20,7 milhões de eleitores do país. Dessa cifra, a aliança do Grande Polo Patriótico (GPP), encabeçada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), alcançou 68,43%, com 4.277.926 votos.

    As listas da oposição, por sua parte, alcançaram baixas porcentagens. A aliança formada pelos partidos Ação Democrática, Copei, Mudemos, Avançada Progressista e Mudança obtiveram 17,52%, com 1.095.170 votos, e a aliança Venezuela Unida, Primeiro Venezuela, e Vontade Popular Ativistas conseguiu 259.450 votos. Quanto ao Partido Comunista da Venezuela, conquistou 167.743 votos.

    "Temos uma nova Assembleia Nacional eleita pelo voto do povo, grande vitória da democracia, da Constituição", afirmou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em um programa televisionado na segunda-feira (7), felicitando a jornada eleitoral sem incidentes, apesar dos desafios do contexto atual marcado por fatores políticos e econômicos.

    O que diz Juan Guaidó?

    Líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó, chamou a população a boicotar as eleições e anunciou que a abstenção teria sido maior que 80%, com o intuído de denunciar o CNE por fraude.

    O objetivo de Guaidó ao afirmar que a eleição não teve apoio popular graças ao seu pedido de abstenção e que, como consequência, tanto o governo como a oposição teriam sido derrotados. Desta forma, segundo essa estratégia, Guaidó, e outros que se mantiveram longe do processo eleitoral, sairiam fortalecidos.

    Presidente da Assembleia Nacional de Oposição Juan Guaidó
    © AP Photo / Fernando Llano
    Presidente da Assembleia Nacional de Oposição Juan Guaidó

    O fator econômico, com seu consequente impacto no descontentamento popular, foi um dos maiores motivos por trás da baixa taxa de participação, mas não o único. Além disso, um conflito político complexo gerou um desgaste na população, que, em parte, já não se sente representada em nenhuma das opções políticas existentes.

    O que se pode concluir?

    A partir de 5 de janeiro haverá uma nova Assembleia Nacional com maioria da ala chavista, o que representa uma vitória para as forças apoiadas pelo GPP, e em particular para o PSUV.

    A obtenção dessa maioria significa ter oficialmente revertido a derrota legislativa de 2015, ano em que a maioria foi obtida pela oposição.

    A existência de um novo Poder Legislativo, com maioria chavista, será uma nova realidade na política venezuelana a partir de 2021, um ano que estará marcado pelas eleições para prefeitos e governadores. Outra conclusão: Guaidó e as forças que se mantêm dentro de sua estratégia vão ficar fora do Poder Legislativo.

    A fórmula do líder da oposição busca legitimar que vai continuar à frente da "presidência interina", ainda que já não esteja presente na Assembleia Nacional.

    O que o futuro reserva?

    Uma pergunta central ainda não tem resposta: o que fará a nova administração do futuro presidente dos EUA, Joe Biden? Vai modificar as táticas dos EUA de tentar mudar o governo da Venezuela? Vai manter o bloqueio ou buscar diálogo e negociação?

    Se trata de um ponto central para analisar a situação econômica do país latino-americano. O chavismo tem como principal exigência o levantamento das medidas econômicas que asfixiam a macroeconômica venezuelana.

    Avanços na resolução destes desafios será um dos pontos principais e urgentes a ser abordado pela nova Assembleia Nacional, tanto, por exemplo, na ordem dos salários, como dos serviços públicos, como a água, luz, gás e gasolina. O que fará o poder Legislativo é uma das perguntas que terá resposta em breve.

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    Tags:
    Nicolás Maduro, fraude, eleições, oposição, política, Venezuela
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