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    Ex-diretor da Agência Central de Inteligência, John Brennan, chamou recentemente a atenção mundial depois de considerar o assassinato do cientista nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh como um "ato criminoso".

    O ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) durante a administração de Barack Obama, John Brennan, afirmou em entrevista ao jornal israelense Haaretz que o importante general iraniano Qassem Soleimani era seu nêmesis pessoal durante o trabalho na agência.

    No entanto, Brennan criticou o assassinato do general, que foi executado durante um ataque de drones no Iraque em janeiro deste ano. Segundo Brennan, o assassinato de "um alto funcionário do governo iraniano" foi um ato "muito arbitrário e perigoso" que ocorreu "sem qualquer tipo de base internacional e legal, sem se estar em guerra com o Irã e sem uma decisão do Conselho de Segurança".

    "Eu disse, e fui criticado por isso, que eu não apoiava de jeito nenhum o ataque dos EUA contra Soleimani. Não discordo que Soleimani tivesse sangue em suas mãos: era responsável pelo apoio a grupos terroristas, bem como por ações que executaram", explicou ex-chefe da inteligência norte-americana.

    "Soleimani era um ator muito perigoso, mas mais uma vez, os Estados Unidos matarem um funcionário superior de um país estrangeiro não corresponde a seus compromissos com o sistema internacional", segundo Brennan.

    John Brennan, ex-diretor da CIA
    © AP Photo / Pablo Martinez Monsivais
    John Brennan, ex-diretor da CIA

    O assassinato de Soleimani foi aplaudido nos Estados Unidos, apesar de esta ação violar os padrões e normas internacionais.

    Durante a entrevista, Brennan disse que "não se surpreenderia" se descobrisse que Israel "encorajou ou até forneceu algum apoio para a operação".

    Assassinato do cientista iraniano Mohsen Fakhrizadeh

    A entrevista com John Brennan ocorreu um pouco antes do assassinato de mais um alto funcionário iraniano, o cientista nuclear Mohsen Fakhrizadeh, em 27 de novembro.

    Nenhum grupo terrorista reivindicou sua responsabilidade pelo ataque, mas o líder iraniano, Hassan Rouhani, acusou Israel pelo atentado.

    John Brennan comentou o ato como "criminoso" e "altamente imprudente", uma ação que poderia comprometer a estabilidade na região.

    Suas palavras geraram uma resposta muito forte do senador republicado pelo Texas, Ted Cruz, que acusou Brennan de alinhar com os "fanáticos iranianos".

    Netanyahu é 'mentiroso'?

    Brennan chamou Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, de "indivíduo sem muitos princípios ou ética", quando perguntado se achava que ele era um "mentiroso".

    "Ele tem, acredito, uma muito, muito astuta compreensão e manipulação da política interna de Israel", comentou Brennan.

    Quanto ao processo de paz israelo-palestino, referiu que a "solução de dois Estados", um tipo de acordo segundo o qual o Estado independente de Israel coexistiria com um Estado da Palestina, para Brennan não parece "viável" no longo prazo com base na posição atual do governo israelense.

    No entanto, ele afirmou que se Netanyahu achasse que "a solução de dois Estados beneficiaria seus interesses políticos, ele possivelmente a perseguiria".

    Assassinato de Osama Bin Laden

    John Brennan foi perguntado se o assassinato do fundador da Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), Osama Bin Laden, em 2011 em operação ordenada por Barack Obama, foi assistido por Israel. Ex-chefe de inteligência dos EUA respondeu que esse ato foi norte-americano, mas com informações vitais de Tel Aviv.

    "[...] A inteligência que foi usada para o último ataque bem-sucedido contra esse complexo no Paquistão foi o resultado de muitos, muitos anos", disse Brennan. "E os milhares de pedaços de inteligência incluem alguma [informação] que foi fornecida por israelitas como resultado de suas operações de inteligência."

    A entrevista foi feita à luz da recente publicação das memórias de Brennan, que conta sobre 40 anos de seu trabalho em diferentes postos para os Estados Unidos. Em 2013, ele foi nomeado chefe da CIA por Barack Obama.

    Durante seu trabalho na inteligência, foi criticado por defender práticas de tortura de indivíduos suspeitos de atividades terroristas da Al-Qaeda. Em seu livro, Brennan diz que lamenta sua decisão de não se ter oposto aos métodos controversos.

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    Tags:
    EUA, Irã, programa nuclear, assassinato, Agência Central de Inteligência, Qassem Soleimani, John Brennan
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