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    Pandemia de COVID-19 no mundo no início de dezembro (93)
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    Número é quase o dobro de julho. Mortos passam de 270 mil e se houver surto por causa do Dia de Ação de Graças pode não haver profissionais de saúde para atendimentos.

    O número de pacientes de COVID-19 nos hospitais norte-americanos ultrapassou 100 mil pela primeira vez, quase o dobro do número durante a primeira onda do coronavírus, de acordo com o Projeto de Rastreamento COVID-19, informou o jornal The New York Times. Segundo o Projeto, nesta quarta-feira (2) eram exatos 100.226.

    O aumento implacável das hospitalizações segue uma rápida escalada em novos casos, que agora somam mais de um milhão a cada semana. E as mortes, um indicador que tende a crescer após um aumento das hospitalizações, também têm subido rapidamente. Elas já passaram de 270.000 no país.

    Os números pintam um quadro sombrio do que podem parecer as próximas semanas, disseram os especialistas. Os hospitais em alguns lugares estão se aproximando da capacidade e se os estados não conseguirem conter a onda de novos casos, esses sistemas podem logo se tornar sobrecarregados, como Nova York estava no primeiro semestre.

    "Qualquer pessoa que pense tem que se preocupar. O fato de termos tantas hospitalizações significa que temos feito um trabalho muito pobre no controle desta pandemia. Ela está se espalhando muito rapidamente e, em muitos lugares, está basicamente se espalhando fora de controle", disse Philip Landrigan, diretor de um programa global de saúde pública da Universidade de Boston.

    Ainda assim, a situação atual é diferente da antes de julho.

    As hospitalizações estão subindo constantemente, mas não estão acompanhando o número crescente de casos. A proporção de pessoas infectadas com o coronavírus que são internadas em hospitais tem na verdade diminuído, uma reviravolta nos dados para a qual os especialistas oferecem teorias diferentes.

    Uma explicação é o teste. Mais pessoas são testadas atualmente do que no início da pandemia, o que gera mais casos leves. E muitos daqueles que contraem o vírus ficam menos doentes, disse Caitlin Rivers, epidemiologista da Universidade Johns Hopkins, o que significa que eles têm menos probabilidade de precisar de hospitalização.

    Mas a médica não acredita que a proporção de pessoas que estão doentes o suficiente para precisar de hospitalização tenha mudado tanto assim. É que agora elas estão espalhadas pelos Estados Unidos, ao contrário do primeiro semestre, quando se concentravam em Nova Iork na Nova Inglaterra, nordeste do país.

    "Agora podemos ver melhor o iceberg. Antes de julho, você fez um teste porque estava no hospital e já estava doente. Agora você pode ser testado mesmo que não tenha sintomas", disse ela.

    Mas outros falam que a mudança foi mais do que apenas um aumento dos testes.

    Michael Osterholm, um especialista em doenças infecciosas da Universidade de Minnesota, que está no painel consultivo para pandemia do presidente eleito Joe Biden, disse que tinha visto uma queda nas hospitalizações nas últimas semanas, mas que suspeitava que isso refletia uma tentativa dos hospitais de administrar o aumento do número de casos.

    "Os pacientes que hoje teriam sido hospitalizados, no mês passado estavam sendo enviados para casa e observados de perto. Muitos de nossos sistemas de saúde estão literalmente no limite", comentou o médico.

    Complicando a situação dos hospitais está o fato de que com casos que agora explodem em quase todas as partes do país, os profissionais de saúde não podem ser trazidos de outros estados para ajudar, disse ele.

    As próximas duas semanas serão críticas, disse Osterholm.

    "Se tivermos este surto em consequência do Dia de Ação de Graças, teremos hospitais atingindo o penhasco de seus casos. Então você não poderá ter mais hospitalizações porque não haverá profissionais de saúde suficientes para cuidar deles", comentou.
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    Tags:
    Nova York, Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos, COVID-19
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