13:46 02 Dezembro 2020
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    Em seu primeiro discurso após ser apontado pela mídia norte-americana como vencedor das eleições nos Estados Unidos, Biden disse que o povo deu uma clara vitória para sua campanha.

    "Garanto que serei um presidente que não quer dividir, mas unificar. Que não vê estados vermelhos ou azuis, mas que vê os Estados Unidos", afirmou Biden na noite deste sábado (7) no palco montado em Wilmington, no estado de Delaware.

    "O povo desta nação nos proporcionou uma vitória clara, uma vitória convincente, uma vitória para nós, o povo [...] Ganhamos com o maior número de votos já obtidos por uma chapa presidencial na história do país, 74 milhões", acrescentou.

    Biden revelou que ficou surpreso com a celebração nas ruas dos Estados Unidos, o que ele chamou de uma "efusão de alegria, esperança, fé renovada no amanhã para trazer outro dia".

    Além de agradecer a todos que votaram no Partido Democrata, o candidato apontado como presidente eleito pela mídia norte-americana também enviou uma mensagem aos eleitores de Donald Trump, e estendeu sua mão ao pedir unidade e reconciliação.

    "Agora, para todos aqueles de vocês que votaram no presidente Trump, entendo sua decepção esta noite. Já perdi algumas vezes, mas agora vamos dar uma chance um ao outro", disse Biden.
    Apoiadores de Joe Biden se preparam para discurso em Wilmington
    © AP Photo / Paul Sancya
    Apoiadores de Joe Biden e seus filhos esperam por discurso em Wilmington

    Para o ex-vice-presidente de Barack Obama, agora é a hora de os dois lados ouvirem um ao outro novamente.

    "É hora de colocar de lado a retórica dura, de baixar a temperatura, de nos vermos novamente, ouvirmos uns aos outros outra vez. Contudo, para progredir, temos que parar de tratar nossos oponentes como nossos inimigos. Eles não são nossos inimigos. Eles são americanos", acrescentou.

    Além disso, Biden mencionou a Bíblia, ao assinalar que é preciso curar as feridas que foram abertas no país com a crescente polarização vivenciada em tempos recentes. 

    "A Bíblia nos diz que para tudo existe um tempo, um tempo para construir, um tempo para colher, um tempo para semear e um tempo para curar. É hora de curar a América [...] A era da demonização acaba agora!", frisou.
    Público reage ao discurso de Joe Biden
    © REUTERS / Andrew Kelly
    Na Times Square em Nova York, público reage ao discurso de Joe Biden

    Ao comentar sobre o que fará em seu futuro mandato, Biden destacou como questões-chave lidar com as mudanças climáticas e o racismo sistêmico, além de prometer controlar a pandemia do novo coronavírus.

    "Nosso trabalho começa com o controle da COVID-19, não podemos consertar a economia, restaurar nossa vitalidade ou saborear os momentos mais preciosos da vida, todos os momentos que são mais importantes para nós, até que coloquemos [o vírus] sob controle. Vamos nomear um grupo de cientistas e especialistas como conselheiros de transição para ajudar a implementar o plano Biden-Harris de combate à COVID-19 e convertê-lo em um plano de ação que começará em 20 de janeiro de 2021", comentou Biden.

    Por fim, Biden disse que os EUA devem liderar pelo exemplo, e não apenas pela força. 

    "Esta noite, o mundo inteiro está observando os EUA e acredito que, em nosso melhor, somos um farol para o planeta. Lideraremos não apenas pelo exemplo de nosso poder, mas pelo poder de nosso exemplo", declarou.

    Harris introduz pronunciamento de Biden

    Kamala Harris, candidata a vice-presidente na chapa, falou antes de Biden subir ao palco, e agradeceu aos americanos por "terem votado em números recordes" e escolhido "esperança e unidade".

    "Quando nossa democracia esteve em votação, com a alma americana correndo risco e o mundo observando, vocês garantiram um novo dia para a América [...] Vocês escolherem Joe Biden como novo presidente dos Estados Unidos da América", disse Kamala.

    Harris agradeceu aos eleitores por terem comparecido às urnas em números recordes, principalmente devido às dificuldades e aos riscos trazidos pela pandemia do novo coronavírus.

    "Sei que os tempos têm sido desafiadores, principalmente nos últimos meses. A tristeza e a dor, as preocupações e as lutas. No entanto, também testemunhamos sua coragem, sua resiliência e a generosidade de seu espírito. Por quatro anos, vocês marcharam e se organizaram por igualdade e justiça, por nossas vidas e pelo nosso planeta e depois votaram. E transmitiram uma mensagem clara [...] Vocês escolheram esperança, unidade e verdade", acrescentou a ex-procuradora-geral da Califórnia.

    Além dos agradecimentos, Harris aproveitou seu pronunciamento para destacar que será a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente do país, mas que tem a convicção de que não será a última.

    "Apesar de eu ser a primeira mulher neste cargo [vice-presidente], Não serei a última", disse.

    Joe Biden e Kamala Harris festejam durante pronunciamento em Wilmington
    © REUTERS / Jim Bourg
    Joe Biden e Kamala Harris festejam durante pronunciamento em Wilmington

    Biden e Harris fizeram seus comentários como "presidente eleito" e "vice-presidente eleita", mesmo sem que os resultados da corrida presidencial tenham sido oficialmente divulgados, pois ainda há votos a serem contados.

    Em meio às projeções da mídia dos EUA de que a chapa Biden-Harris venceu a disputa pela Casa Branca em 2020, o presidente Donald Trump afirma repetidamente que houve fraude eleitoral e acusa os democratas de tentarem "roubar a eleição".

    Enquanto a mídia dos EUA, os líderes de vários países e celebridades se referem a Biden como o vencedor da corrida presidencial, Trump insiste que triunfou no pleito com 71 milhões de "votos legais".

    71.000.000 de votos legais. Um recorde para um presidente em exercício!

    A campanha do atual presidente apresentou, sem sucesso, várias ações judiciais em vários estados, insistindo que os observadores republicanos não tiveram "acesso significativo" aos locais de contagem das cédulas, e alegando que muitos votos foram "rejeitados", particularmente no estado do Arizona.

    Neste sábado (7), Trump prometeu empreender "ações na Justiça para garantir que as leis eleitorais sejam cumpridas em sua totalidade e o vencedor legítimo seja determinado", o que começará fazer já na próxima segunda-feira (9).

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    Tags:
    política, presidente, Donald Trump, Joe Biden, Eleições nos EUA
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