04:28 20 Outubro 2020
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    David Commissiong, embaixador de Barbados na Comunidade do Caribe (CARICOM), disse à Sputnik neste domingo (20) que a decisão do governo de destituir a Rainha da Inglaterra como chefe de Estado da pequena nação insular e buscar a soberania total faz parte da evolução natural do país.

    "Isso é parte de nossa evolução natural. À medida que assumimos o controle total de nossa soberania, expressamos total confiança em nossa própria capacidade de administrar totalmente nossos assuntos nacionais", disse Commissiong.

    Os planos para remover a rainha Elizabeth II do posto de chefe de Estado de Barbados e se tornar uma república a partir de novembro de 2021 foram anunciados pela governadora-geral da ilha, Sandra Prunella Mason, em discurso ao parlamento de Barbados na quarta-feira (16). O país caribenho é uma ex-colônia britânica, tendo declarado sua independência em 1966.

    De acordo com Commissiong, o projeto de tornar o país uma república está muito atrasado, tendo sido formulado pela primeira vez há 20 anos, mas interrompido por uma pequena - mas economicamente forte - população de minoria branca, além de alguns barbadianos negros mais velhos.

    "As resistências forçaram a classe política a suspender isso, mas nos últimos 20 anos houve uma evolução em Barbados", disse ele.

    O embaixador de Barbados também considera "incongruente" que Barbados mantenha símbolos como a rainha da Inglaterra como chefe de Estado, enquanto trabalha junto com a CARICOM na tentativa de desenvolver uma civilização caribenha.

    Rainha da Grã-Bretanha Elizabeth II no Palácio de Buckingham em Londres
    © REUTERS / Mary McCartney
    Rainha da Grã-Bretanha Elizabeth II no Palácio de Buckingham em Londres

    Commissiong contou ainda que o governo da primeira-ministra de Barbados, Mia Motley, também tomou a decisão de remover a estátua do almirante britânico Lord Nelson de um pedestal em frente ao parlamento barbadiano e levá-la a um museu.

    "Será tratado como um artefato histórico, e não como uma estátua pela qual estamos celebrando Lord Nelson e o que ele representou. Basicamente, ele representou o Império Britânico e a manutenção de seu sistema de escravidão e esses não são valores que queremos defender em Barbados no século 21", disse ele.
    Em Bridgetown, capital de Barbados, a estátua do vice-almirante britânico Lord Nelson aparece vandalizada com pedidos para que seja derrubada, em 16 de setembro de 2020. Barbados pretende retirar a estátua do local.
    © REUTERS / Nigel R. Browne
    Em Bridgetown, capital de Barbados, a estátua do vice-almirante britânico Lord Nelson aparece vandalizada com pedidos para que seja derrubada, em 16 de setembro de 2020. Barbados pretende retirar a estátua do local.

    David Denny, secretário-geral do Movimento Caribenho pela Paz e Integração (CMPI), também comemorou o anúncio de tornar Barbados uma república em novembro de 2021 como um passo há muito esperado.

    "Este é um movimento muito progressista. É um movimento pelo qual temos lutado e estamos felizes em saber que o governo de Barbados trabalhará para isso", disse Denny à Sputnik.

    O secretário-geral da CMPI também incentivou o governo a criar uma comissão para desenhar as condições para que o povo barbadiano discuta o tipo de república que deseja e permita que a classe trabalhadora participe desse processo.

    Se os planos anunciados por Mason forem cumpridos, Barbados se juntará a Trinidad e Tobago, Dominica e Guiana como repúblicas caribenhas totalmente independentes.

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    Tags:
    Caribe, Reino Unido, Barbados
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