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    No caso, no qual o movimento fundado pelo futuro chefe do Executivo teria recebido dinheiro destinado ao combate à corrupção, também estariam envolvidos o irmão do presidente e um consultor privado.

    O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, foi confrontado com uma acusação de corrupção, na qual ele e seu irmão, Pío López Obrador, estariam envolvidos em desviar fundos de combate à corrupção para apoiar o Movimento de Regeneração Nacional (MORENA, no acrônimo em espanhol), fundado e dirigido no período em questão pelo atual chefe de Estado.

    Como base da denúncia são usados vídeos de 2015 divulgados pelo jornalista Carlos Loret de Mola no portal Latinus na noite de quinta-feira (20). Nesses vídeos, surge David León, na época consultor privado e assessor de comunicação para o governo do estado de Chiapas, no sudeste do México. Com León aparece Pío Obrador, que era funcionário do MORENA no mesmo estado.

    Um dos vídeos mostra David León e Pío Obrador em um restaurante e mais tarde em uma casa, recebendo envelopes com dinheiro para "apoiar o movimento" antes das eleições presidenciais de 2018, que Andrés Obrador viria a ganhar.

    Andrés Manuel López Obrador toma posse como presidente do México, 1º de dezembro de 2018
    © AP Photo / Eduardo Verdugo
    Andrés Manuel López Obrador toma posse como presidente do México, 1º de dezembro de 2018

    Chiapas na época era governado por Manuel Velasco, do Partido Verde, que agora é aliado de Andrés Obrador.

    "Deixe o advogado saber, através de sua mídia, que o estamos apoiando", diz León em um dos vídeos lançados.

    Presume-se que a quantia entregue esteja entre um e dois milhões de pesos (até R$ 501.714). Em 2016, o Escritório Superior de Auditoria Federal detectou desvios de 685 milhões de pesos (R$ 172,87 milhões, na conversão atual) através de empresas fantasmas.

    Reações aos vídeos

    Andrés Obrador reconheceu nesta sexta-feira (21) que durante anos muitas pessoas contribuíram com dinheiro para financiar o movimento social, mas desvalorizou a acusação, afirmando que não são "todos iguais".

    "Isto é bastante usual e comum quando se está realizando uma transformação. Mas não é assim, não somos os mesmos. Neste caso do vídeo do meu irmão com David León, há diferenças notáveis em relação às outras questões", garantiu Obrador.

    O presidente referiu que o valor máximo do dinheiro entregue, de dois milhões de pesos (R$ 501.714), não se compara com outro caso de corrupção no país, onde mais de US$ 200 milhões (R$ 1,11 bilhão) foram transferidos para a compra da fábrica de fertilizantes de sucata Agro Nitrogenados, relacionado com a rede de suborno da Odebrecht, um dos casos em que está envolvido o político mexicano Emilio Lozoya.

    O alto responsável mexicano também nega que a soma entregue teria sido relacionada com as eleições presidenciais de 2018, convidando o Ministério Público a investigar o caso a fundo.

    "Corrupção zero, impunidade zero, quem quer que seja", concluiu o presidente.

    Além disso, aponta Obrador, David León já o avisou há cinco dias que o executivo mexicano apareceria no vídeo, sugerindo que León encarasse a questão e dissesse a verdade.

    O próprio León negou a sugestão de corrupção, afirmando que ele era apenas um consultor privado na Coordenação Nacional de Proteção Civil, que chefiava, e que se tratava meramente de levantar dinheiro "entre conhecidos" para apoiar a causa de López Obrador.

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    Tags:
    Chiapas, Movimento Regeneração Nacional (Morena), Andrés Manuel López Obrador, México
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