19:55 06 Agosto 2020
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    La Paz defende que há uma tentativa de derrubar o governo de Jeanine Áñez, que recentemente marcou eleições para setembro. Enquanto isso, o partido MAS diz que estavam tentando ajudar com a pandemia.

    O ministro de Governo (Casa Civil) da Bolívia, Arturo Murillo, advertiu que há um "golpe de Estado no horizonte" após a Força Especial de Combate ao Tráfico de Drogas (FELCN, na sigla em espanhol) ter apreendido 107 quilos de substâncias controladas e um lote de explosivos em duas operações.

    "Sabemos que há um golpe de Estado no horizonte, o Movimento ao Socialismo [MAS] está buscando desestabilizar o país. Não me canso de dizer que estamos enfrentando [...] o narcoterrorismo, uma mistura dos que traficam drogas com terrorismo", declarou Murillo, segundo a Agência de Informação Boliviana estatal.

    O ministro afirmou que a operação policial, chamada Dinamite, prendeu uma mulher em posse de 22,4 quilos de maconha, 480 dinamites, 250 quilos de ANFO (um explosivo feito de nitrato de amônio e combustível derivado do petróleo), 1.100 detonadores e 10 rolos de fusível de movimento lento.

    Murillo se perguntava o que essa mulher estava fazendo com os explosivos e a maconha, por considerar que "obviamente não era para pescar, mas para realizar ataques terroristas".

    Nesse sentido, ele observou que não se cansará de dizer que enquanto o governo procura salvar vidas, outros setores procuram gerar mortes.

    Morales é acusado

    O governo da presidente interina Jeanine Áñez não expressa dúvidas de que o antigo presidente exilado do país está envolvido nos eventos.

    "O ex-presidente Evo Morales [2006-2019] e seu candidato Luis Arce Catacora estão buscando confronto, que haja mortes como houve de 1999 a 2005 em Chapare", enfatizou Arturo Murillo.

    Segundo o ministro, Morales ordenou o sequestro do policial que foi retido por várias horas na terça-feira (23) no setor K'ara K'ara na cidade de Cochabamba, centro do país.

    "Claramente esta foi uma ordem de Evo Morales em vingança por termos detido três pessoas, entre elas um candidato a senador pelo MAS, que estão envolvidos no sequestro de armas, [na agressão] a policiais e militares em várias ocasiões e em todas as mobilizações que aconteceram em Cochabamba", disse o alto responsável.

    Morales "está mais uma vez tentando sacudir o país, agora a partir da Assembleia Legislativa Plurinacional, em cumplicidade com a Defensoria do Povo, que [...] são acólitos extremos do Movimento ao Socialismo", declarou a presidente interina Jeanine Áñez em um memorial ao Tribunal Constitucional (TCP).

    Um documento apresentado na cidade de Sucre, onde está baseado o TCP, procurou bloquear uma lei que regulamenta os estados de exceção que a Assembleia ou Parlamento com maioria de membros do MAS sancionou na semana passada, e está pronto para a assinatura presidencial.

    O documento, com seu duro ataque a Morales e à membra da Defensoria do Povo, Nadia Cruz, foi publicado logo após Murillo denunciar o "golpe de Estado em andamento", em alusão a supostos atos de terrorismo e tráfico de drogas que haviam sido atribuídos ao ex-chefe de Estado.

    Os ataques oficiais a Morales, que está exilado na Argentina, se intensificaram desde domingo (21), quando fortes pressões sociopolíticas forçaram Áñez a aprovar uma lei que estabelece o dia 6 de setembro para as eleições gerais que estão pendentes desde maio, como resultado da pandemia da COVID-19.

    Luta legislativa

    A presidente interina, que também é candidata a essas eleições, pediu ao TCP que interrompesse o processamento da lei dos estados de exceção e impedisse que fosse decretada pela presidente da Assembleia, Eva Copa do MAS, enquanto a decisão sobre a constitucionalidade dessa regra está sendo processada.

    Áñez afirmou que a lei, que limita os poderes presidenciais e pune os militares e policiais que cometem abusos de direitos humanos durante o estado de emergência, contradiz vários princípios constitucionais.

    O vice-ministro da Coordenação, Israel Alanoca, que levou o memorial presidencial ao TCP, confirmou que o objetivo central deste documento era deter um golpe contra o governo interino.

    "Com este projeto de lei estaria se formando um golpe de Estado para desestabilizar o governo, com cumplicidade entre a Assembleia Legislativa e a Defensoria do Povo, pois foi esta última que apresentou este projeto", afirmou Alanoca, segundo o jornal La Razón.

    Murillo culpou Morales pelo sequestro fugaz de um policial na terça-feira (23), por moradores do bairro K'ara K'ara em Cochabamba, centro do país, que protestavam contra a prisão de três de seus líderes.

    Reação de membros e aliados do MAS

    O ex-presidente rejeitou a acusação do ministro e apoiou a versão dos moradores de K'ara K'ara, que afirmaram que foram detidos e acusados de terrorismo e narcotráfico enquanto levavam ajuda humanitária em meio à pandemia.

    Entre os detidos pelas autoridades policiais estão Osvaldo Gareca e Remmy Fernández, os líderes do Comitê Coordenador Popular, bem como Lucy Escobar, a candidata ao Senado do MAS.

    O ex-presidente da Bolívia e líder do MAS criticou as ações de La Paz.

    Com as novas prisões, o governo interino mostra que está mais preocupado com a política do que com a vida; os irmãos Lucy Sara Escóbar, Remmy Fernández e Osvaldo Gareca estavam levando ajuda humanitária e suprimentos de biossegurança aos trópicos para enfrentar a pandemia.

    Centenas de pessoas fizeram uma vigília em K'ara K'ara na terça-feira (23) para exigir a libertação de membros da Coordenação Popular de Defesa da Democracia e da Vida na Zona Sul de Cochabamba.

    O governo boliviano tem sido denunciado pelas organizações sociais por perseguir os líderes políticos e negligenciar a população em meio à pandemia da COVID-19.

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    Tags:
    COVID-19, Cochabamba, Evo Morales, MAS, Bolívia
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