14:54 14 Agosto 2020
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    De acordo com o livro do ex-assessor de Trump John Bolton, durante a cúpula em 2018, Donald Trump prometeu ao líder da Coreia do Norte considerar o levantamento das sanções da ONU sem consultar ninguém.

    A própria administração estadunidense se opôs à publicação do livro visto que este contém "informação classificada". Bolton assumiu a responsabilidade de publicar o seu livro sem obter "a aprovação final das autoridades de inteligência" dos EUA.

    São precisamente as informações pormenorizadas da reunião entre Donald Trump e Kim Jong-un que revelam detalhes até agora desconhecidos.

    Após sair da reunião de junho de 2018 em Singapura, o líder norte-coreano disse estar satisfeito por tanto ele quanto Trump terem concordado em seguir uma abordagem de ação por ação na troca da desnuclearização da Coreia do Norte por concessões dos EUA, revela Bolton em seu livro The Room Where It Happened (A Sala Onde Isso Aconteceu) que será publicado em 23 de junho.

    Sue Mi Terry, uma ex-analista da CIA que atualmente trabalha no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais citou partes do livro.

    Kim Jong-un perguntou se deveria esperar o levantamento das sanções da ONU e Trump respondeu que "estava aberto a isso e queria pensar no assunto", disse Terry.

    "Então Kim partiu com expectativas otimistas", acrescentou a ex-analista da CIA.

    Relativamente aos exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e EUA, Trump reclamou repetidamente que eram caros e provocativos e que os via como uma perda de dinheiro, continua Bolton em seu livro.

    Ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton (foto de arquivo)
    © REUTERS / Jonathan Drake
    Ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton (foto de arquivo)

    "Quando o líder da Coreia do Norte disse que queria que os EUA reduzissem ou abandonassem completamente [a realização] dos exercícios, Trump garantiu que ele iria ignorar seus generais para satisfazer o seu desejo", aponta Terry.

    "Nem [John] Kelly, nem [Mike] Pompeo, nem Bolton, que estavam sentados ali, foram consultados, nem obviamente [James] Mattis. A Coreia do Sul também não foi consultada. Trump simplesmente cedeu diante de Kim, sem consultar ou notificar ninguém", acrescenta Terry citando as memórias de Bolton.

    Em seu livro, Bolton também confirma que o presidente dos EUA estava "desesperado" para realizar uma cúpula com Kim Jong-un a qualquer preço porque seria "um grande teatro, um exercício de publicidade", conclui a ex-analista da CIA.

    Recentemente, o juiz federal dos EUA Royce Lamberth autorizou o ex-assessor de Segurança Nacional dos EUA John Bolton a publicar o livro no qual critica a administração Trump.

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    Tags:
    Coreia do Sul, Coreia do Norte, península coreana, desnuclearização, sanções econômicas, ONU, livro, John Bolton, cúpula, Donald Trump, Casa Branca
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