07:46 26 Outubro 2020
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    Os EUA não construíram frotas de quebra-gelos nas últimas décadas e estão ficando para trás da Rússia e da China na região, razão pela qual Trump pediu a criação de uma agora.

    Donald Trump ordenou na última terça-feira (9) uma revisão dos requisitos de capacidade dos quebra-gelos nas regiões ártica e antártica com o objetivo de obter uma frota de quebra-gelos até 2029, diz o memorando do presidente aos Departamentos de Defesa, do Estado, do Comércio e da Segurança Nacional e ao Gabinete de Gestão e Orçamento.

    A Guarda Costeira dos EUA tem um programa para criar uma frota de quebra-gelos que seria utilizada nas zonas do Ártico e da Antártica. Este programa é conhecido como Navio de Segurança Polar (Polar Security Cutter). Ele visa substituir a antiga frota de quebra-gelos americana. Neste momento, a frota é muita pequena, sendo composta por um quebra-gelo pesado, o USCGC Polar Star, e um quebra-gelo médio, o USCGC Healy.

    O Canadá tem 10 quebra-gelos operacionais e está construindo outros três. Além disso, o país norte-americano planeja iniciar a construção de mais quatro navios. A China, que não tem acesso direto ao Ártico, já tem uma pequena frota de quatro quebra-gelos modernos e planeja aumentá-la com a construção de mais dois quebra-gelos pesados.

    A frota russa de quebra-gelos é muito maior que a dos EUA, com 53 navios operacionais. Moscou está construindo mais seis quebra-gelos e planeja construir mais 12, incluindo superpesados.

    Está previsto que ambos os quebra-gelos americanos sejam substituídos por uma frota de três quebra-gelos pesados e três médios, o que também não é muito. A história da nova frota de quebra-gelos remonta a abril de 2019, quando a Guarda Costeira dos EUA firmou um contrato para criação de um projeto e construção do primeiro dos novos quebra-gelos pesados.

    O contrato, com um valor total de US$ 746 milhões (R$ 3,8 bilhões), foi assinado com uma empresa norte-americana do estado do Mississipi, VT Halter Marine Inc. De acordo com dados preliminares, o quebra-gelo pesado do programa Polar Security Cutter terá 140 metros de comprimento, a boca do navio será de 27 metros e o deslocamento do quebra-gelo será de 23.300 toneladas.

    É esperado que os navios incluídos neste programa tenham espaço para 186 membros da tripulação, cientistas, etc.

    A nova frota de quebra-gelos dos EUA permitirá que a Guarda Costeira do país execute diferentes tipos de missões no Ártico, tais como: operações militares, defesa dos interesses dos EUA na zona do Ártico, atividades de segurança nacional, investigação científica, operações de salvamento, bem como apoio logístico e escolta de navios comerciais.

    Cara a cara com outras potências no Ártico

    O memorando trata de navios que ainda não estão sujeitos aos termos do contrato. De acordo com o memorando, as capacidades dos futuros navios devem ser revistas, a fim de maximizar sua utilidade nos polos congelados.

    O memorando apela igualmente a uma avaliação das capacidades operacionais alargadas e dos custos dos quebra-gelos pesados e médios e "particularmente a utilização máxima de qualquer quebra-gelo no que diz respeito à sua capacidade de apoiar os objetivos de segurança nacional".

    O processo de avaliação deverá durar 60 dias a partir de 9 de junho. A diretiva do presidente dos EUA para avaliar o plano atual e colocar quebra-gelos no Ártico durante a próxima década é um sinal de que a atual administração está cada vez mais preocupada com as atividades russas e chinesas na região.

    Quebra-gelos estadunidense Polar Star
    Quebra-gelos estadunidense Polar Star

    Washington há muito que entende que precisa de uma frota operacional de quebra-gelos pesados para poder competir pelos recursos na plataforma continental ártica com outras potências mundiais, mas até há pouco tempo não fez qualquer esforço para sair do impasse.

    Era 'nuclear' no Ártico?

    As decisões de Trump relativamente ao desenvolvimento da frota de quebra-gelos dos EUA são notáveis, pois propõe substituir os navios com propulsão diesel-elétrica por navios que navegam com energia nuclear.

    A lógica é que os quebra-gelos diesel-eléctricos são menos capazes de romper o gelo denso, algo necessário para que os navios possam ser utilizados em zonas próximas do Polo Norte. No entanto, apesar de suas grandes dimensões e deslocamento, os quebra-gelos do novo programa Polar Security Cutter são apenas comparáveis aos quebra-gelos antigos.

    Se o novo quebra-gelo pesado dos Estados Unidos chegar a um local onde a espessura do gelo exceda dois metros, o navio precisará da ajuda de um quebra-gelo mais potente.

    Por enquanto, só a Rússia dispõe de quebra-gelos nucleares.

    Os Estados Unidos têm todos os componentes necessários para criar um quebra-gelo nuclear: têm experiência na construção de quebra-gelos, bem como reatores nucleares para vários tipos de embarcações. Apenas falta a experiência na construção de um quebra-gelo atômico.

    Embora os EUA estejam ainda muito longe de criar sua própria frota de quebra-gelos nucleares, eles já estão procurando locais para bases navais para seus quebra-gelos: duas instalações nos EUA e duas no estrangeiro.

    A frota de quebra-gelos dos Estados Unidos, apesar de todos seus esforços, não deverá ser capaz de atingir o nível da Rússia, pelo menos em um futuro próximo. A única coisa que parece mais real nesta fase é a concorrência entre a China e os EUA no domínio da construção de quebra-gelos convencionais.

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    Forças Armadas dos EUA, Guarda Costeira dos EUA, Donald Trump, Antártica, Ártico, China, Rússia, EUA
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