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    Washington busca prolongar a proibição do Conselho de Segurança da ONU que impede a venda de armas ao Irã e atividades ligadas a mísseis balísticos capazes de transportar armas nucleares.

    Os Estados Unidos ameaçaram forçar um regresso unilateral de todas as sanções da ONU contra o Irã se o Conselho de Segurança não estender seu embargo de armas. 

    Washington pretende garantir "de uma forma ou outra" que o embargo permaneça em vigor, escreveu Brian Hook, enviado especial dos EUA para o Irã e conselheiro sênior de Mike Pompeo, secretário de Estado, em uma coluna do Wall Street Journal publicada na quarta-feira (13). 

    Hook acrescentou que os EUA haviam redigido uma resolução do Conselho de Segurança e que "vão prosseguir com a diplomacia e construir apoio". 

    O embargo de armas ao Irã, decretado pelas Nações Unidas em março de 2007, deve expirar em 18 de outubro de 2020. A maioria das outras sanções da ONU contra a República Islâmica foi suspensa em 2016, após a entrada em vigor do acordo nuclear, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês). 

    Os Estados Unidos se retiraram do acordo em maio de 2018, após pressão por parte de Israel, alegando que o documento era imperfeito e que funcionava em benefício do Irã, apesar das objeções dos demais signatários (Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha). 

    Em junho de 2015, um conjunto de países aprovou, na cidade suíça de Lausanne, o Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA, na sigla em inglês), que regula o programa nuclear do Irã.
    © AP Photo / Brendan Smialowski
    Em junho de 2015, um conjunto de países aprovou, na cidade suíça de Lausanne, o Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA, na sigla em inglês), que regula o programa nuclear do Irã.

    Os EUA reimpuseram unilateralmente sanções às exportações de petróleo e ao setor financeiro do Irã. Agora estão buscando prolongar indefinidamente o embargo de armas

    Em relação às sanções da ONU, o acordo contém cláusulas que preveem a renovação das sanções caso o Irã não cumpra seus compromissos nucleares. O Irã começou por descumprir algumas partes do acordo em maio de 2019 para pressionar os países europeus a protegê-lo das sanções dos EUA, e anunciou um recuo final em janeiro deste ano. 

    No entanto, especialistas internacionais que monitoram seu programa nuclear ainda podem visitar o país, e o Irã se comprometeu a restaurar todos os seus compromissos caso os EUA regressem à sua posição anterior. 

    Dentro ou fora?

    Embora os EUA tenham abandonado o acordo, o Conselho de Segurança nunca alterou a resolução de maneira a fixar a retirada dos EUA do documento. O Departamento de Estado norte-americano procura usar essa situação para justificar a posição de que, tecnicamente, continua sendo participante, para poder avançar com o embargo. 

    O Irã já se opôs a uma prorrogação do embargo, tal como a Rússia. "Não vejo nenhuma razão para que um embargo de armas seja imposto ao Irã", disse nesta semana o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya. 

    "Para poder utilizar os instrumentos fornecidos pelo JCPOA, é preciso primeiro ser participante do JCPOA. Os EUA não são um participante efetivo do JCPOA há dois anos", referiu.

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    Tags:
    Mike Pompeo, Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), Vasily Nebenzya, Conselho de Segurança da ONU, ONU, Brian Hook, Irã, EUA
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