13:47 27 Outubro 2020
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    Um alto responsável venezuelano criticou a atuação da administração de Donald Trump, dizendo que está tentando usar suposto tráfico de droga da Venezuela como forma de se intrometer no país.

    O ministro venezuelano da Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez, repudiou as novas ameaças feitas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, contra sua nação e assegurou que com essas declarações o presidente está procurando distrair a atenção da crise em seu país devido à pandemia da COVID-19.

    "A Venezuela repudia fortemente as declarações feitas por Donald Trump, seu secretário de Defesa, seu procurador-geral e outros funcionários de sua equipe de segurança que, em uma tentativa desesperada de desviar a atenção da trágica crise humanitária que o país está passando como resultado da atuação errática de suas autoridades perante a COVID-19, pretendem atacar a Venezuela com infâmias e ameaças", relata a emissora GloboVisión.

    Relativamente ao anúncio do governo dos Estados Unidos de que vai implantar uma força naval perto do território venezuelano para combater o tráfico de drogas, o ministro enfatizou que considera uma boa ideia que aquela nação tente conter a quantidade de drogas que entram no país.

    "Fora as agressões e mentiras contra o governo venezuelano, o governo da República Bolivariana da Venezuela saúda o fato de, pela primeira vez em décadas, as autoridades norte-americanas se prepararem para agir para proteger suas fronteiras, historicamente permeáveis, negligenciadas e vulneráveis, dos milhares de toneladas de drogas que entram naquele país a cada ano", disse Rodríguez.

    O ministro disse que as drogas que entram nos Estados Unidos vêm principalmente "da indústria que se desenvolveu no território de seu aliado e parceiro próximo [Colômbia], e esperamos que desta vez as novas plantações de coca diminuam".

    Membro de brigada de desinfecção da Proteção Civil se preparando para tratar superfícies com solução desinfetante no Hospital General de Lídice Dr. Jesús Yerena, em Caracas, Venezuela, 22 de março de 2020
    © Sputnik / Magda Guibelli
    Desinfecção de hospital na Venezuela

    As instituições venezuelanas de combate às drogas, disse ele, estão prontas para qualquer cooperação e coordenação com os Estados Unidos necessárias para conter o avanço do tráfico de drogas e dos grupos de crime organizado na região.

    Na quarta-feira (1º), soube-se que destróieres, navios de combate, aviões e helicópteros norte-americanos se aproximarão da Venezuela para realizar tarefas de "vigilância", o que vem seis dias depois que o Departamento de Justiça dos EUA acusou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e vários outros altos funcionários do seu governo de tráfico de drogas.

    "Os Estados Unidos estão lançando uma operação melhorada contra o tráfico de droga no hemisfério ocidental para proteger os americanos do flagelo mortal dos narcóticos ilegais", disse Trump aos repórteres na quarta-feira (1º).

    Para além disso, o governo venezuelano exigiu o levantamento de quaisquer sanções que dificultem a atenção à pandemia da COVID-19, e instou os Estados Unidos a seguir o exemplo da Rússia e da China, que têm prestado apoio aos cuidados de saúde dos pacientes.

    Coronavírus na Venezuela

    Durante seu discurso, Rodríguez informou ao país que nas últimas 24 horas apenas foi registrado um caso positivo de COVID-19, para um total de 144 infecções confirmadas.

    "Hoje, nas últimas 24 horas tivemos um caso diagnosticado com infecção pela COVID-19. Trata-se de um homem do estado de Nueva Esparta [norte do país] que foi admitido em 27 de março com um processo respiratório e sintomas característicos da COVID-19", disse ele.

    Rodríguez enfatizou a necessidade de manter a quarentena, mas considerou que o país registrou uma diminuição no número de casos detectados.

    "Ainda não podemos cantar vitória, mas temos visto uma diminuição nos casos, embora isso não signifique que tenhamos vencido a pandemia", disse ele.

    Dos 144 casos, disse o ministro, 39 estão em isolamento domiciliar, 43 recuperaram, 27 estão em ambulatórios, 14 em clínicas privadas e três morreram.

    Pessoas usando máscaras se encostam em um carro estacionado em um posto de gasolina, durante a quarentena nacional contra propagação da COVID-19, em Caracas, Venezuela, 30 de março de 2020
    © REUTERS / Fausto Torrealba/Stringer
    Pessoas usando máscaras em um posto de gasolina em Caracas, Venezuela

    A comissão presidencial para o combate à COVID-19, disse Rodríguez, realizou na quarta-feira (1º) uma reunião com os especialistas chineses, os quais, desde sua chegada na segunda-feira (30), visitaram vários centros de saúde capacitados para combater a pandemia.

    "Eles não descansaram visitando os hospitais sentinela e o Instituto Nacional de Higiene [...] e ratificaram que as medidas tomadas pelo governo venezuelano são as medidas adequadas", disse ele.

    Rodríguez disse que nos últimos dias foram realizados no país 10.000 testes em pacientes suspeitos.

    "Graças ao trabalho e colaboração com a República Popular da China, já temos mais de 10 mil testes rápidos realizados em nível nacional, e isso nos permite despistar os milhares e milhares de verificações que temos feito", disse.

    Mais de 20.000 médicos venezuelanos e cubanos andam de casa em casa para fazer o rastreio de pessoas com sintomas. Se algum paciente der positivo no teste rápido, é submetido a um teste de reação em cadeia da polimerase, disse Rodríguez.

    Tags:
    Nueva Esparta, Jorge Rodríguez, Colômbia, Globovisión, Equador, Donald Trump, Venezuela, EUA
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