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    Robert Blair, enviado da administração Trump, avisou o Canadá de que o compartilhamento de inteligência ultrassecreta dos EUA ficará comprometido caso permita à empresa chinesa operar no mercado canadense.

    Robert Blair, representante especial do presidente dos EUA para a política de telecomunicações internacionais, discutiu a "importância de uma infraestrutura de telecomunicações segura e fiável de próxima geração" e a parceria de defesa entre os Estados Unidos e o Canadá, disse a embaixada dos EUA em uma declaração na segunda-feira (9), citada pela Reuters.

    De acordo com fontes citadas pela agência, Blair planeou antes da reunião alertar Ottawa de que a decisão de incluir a Huawei poderia pôr em risco o acesso do Canadá à inteligência norte-americana.

    Uma porta-voz da vice-primeira-ministra canadense Chrystia Freeland disse que a reunião "fazia parte de conversas regulares e contínuas com os Estados Unidos sobre segurança nacional e telecomunicações continentais", de acordo com a Reuters.

    A administração Trump advertiu diretamente Ottawa que pode perder o acesso a dados ultrassecretos dos acordos de compartilhamento de informações da Five Eyes, uma aliança de inteligência anglófona composta pela Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e EUA, a menos que proíba o uso de produtos da gigante chinesa de telecomunicações em seu lançamento nacional da tecnologia 5G.

    Navdeep Bains diz que o Canadá "não será intimidado" por outras jurisdições para tomar uma decisão sobre a Huawei & 5G.

    Legisladores americanos como Mark Warner, Marco Rubio e o senador Rick Scott têm advertido o Canadá contra permitir que a Huawei desempenhe um papel na rede 5G do país.

    Apesar dos repetidos avisos da administração Trump, o ministro canadense da Inovação, Navdeep Bains, que tem uma palavra a dizer na decisão final de Ottawa, observou na quinta-feira (5) que o Canadá "não será intimidado por nenhuma outra jurisdição".

    "Talvez não tenha sido a escolha certa de palavras, mas não seremos influenciados por outras jurisdições", disse Navdeep Bains. "Sabe, os países levantaram suas próprias preocupações... O que eu quero reiterar é que tomaremos nossa própria decisão independente baseada na nossa própria análise."

    "Vamos garantir que tomaremos uma decisão que proteja os canadenses no futuro", afirmou Bains, citado pela emissora canadense CBC News.

    Huawei e EUA

    As tecnologias, produtos e serviços da Huawei foram proibidos pela administração Trump em maio de 2019, após acusações de que a empresa chinesa forneceria dados à inteligência de Pequim através do uso de seus produtos em todo o mundo.

    Washington tem sistematicamente encorajado outros países a desistir do equipamento e infraestrutura da Huawei na construção das redes nacionais 5G. A Huawei e a China têm rejeitado consistentemente as acusações e protestado contra os esforços dos EUA para restringir a estratégia de negócios global da empresa.

    O secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, disse anteriormente que Washington e Pequim estão envolvidos em diálogos sobre economia, segurança nacional e questões humanitárias, e que a questão da gigante multinacional da tecnologia Huawei não é parte das conversações comerciais em curso entre as nações.

    Os EUA e a China assinaram, em meados de janeiro, um primeiro pacote de documentos no âmbito de uma chamada "fase um" do acordo comercial firmado entre os dois países. Pequim concordou em aumentar as compras de certos bens e serviços dos EUA em US$ 200 bilhões (R$ 945 bilhões) nos próximos dois anos. Além disso, a China prometeu aumentar a proteção dos direitos autorais para os detentores de direitos ocidentais e expandir o acesso ao seu mercado.

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    Tags:
    Huawei, Reuters, China, Canadá, EUA
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