10:45 31 Maio 2020
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    397
    Nos siga no

    Dias depois de a Casa Branca ter anunciado estar considerando a proibição de exportação de motores de aeronaves para a China, Trump afirma agora o contrário.

    A informação inicial havia sido adiantada pelo The Wall Street Journal no passado dia 16.

    Contudo, o presidente dos EUA, Donald Trump, apressou-se no dia de ontem (19) a afirmar não pretender proibir que empresas americanas vendam certos produtos de alta tecnologia para a China, como chips ou os motores de aeronaves fabricados pela General Electric, informa o portal China Daily.

    Quebra-cabeça de uma nota de 100 dólares dos EUA
    © Foto / Pixabay
    Quebra-cabeça de uma nota de 100 dólares dos EUA

    Segundo o presidente dos EUA, o pretexto da segurança nacional não pode servir para causar prejuízos às empresas norte-americanas.

    No entanto, vale recordar que o confronto tecnológico entre a China e os EUA foi desencadeado, em primeiro lugar, por razões de segurança nacional.

    Trump alegou à época que a Huawei não deveria ser autorizada a entrar no mercado dos EUA porque a tecnológica chinesa representava uma ameaça à segurança nacional.

    A este argumento, a administração Trump acrescentou o da proteção da propriedade intelectual norte-americana.

    Assim, todas as restrições ao fornecimento de produtos de alta tecnologia foram justificadas com a necessidade de proteger a propriedade intelectual dos EUA.

    Alegava a administração Trump que a China, obtendo produtos tecnológicos norte-americanos, os copiaria, sem investir em pesquisa e desenvolvimento e ganhando dessa forma uma vantagem competitiva injusta.

    "Apesar de suas recentes declarações [de ontem, 19], Trump ainda deseja frear o desenvolvimento da China por todos os meios possíveis", afirmou à Sputnik China Wang Zhimin, diretor do Instituto de Globalização e Modernização da China da Universidade de Negócios Internacionais e Economia (UIBE, na sigla em inglês).

    Vender ou não vender, eis a questão

    Contudo, Trump não pode ignorar os interesses de seu país, sabendo perfeitamente que a rivalidade entre as duas superpotências faz mais mal do que bem, prosseguiu o cientista político.

    É bem ilustrativo deste fato a questão dos 5.000 motores General Electric (GE) para aeronaves que a China pretendia adquirir nos EUA.

    Motor General Electric
    © AP Photo / Ted S. Warren
    Motor General Electric

    "Por exemplo, se Trump proibir o fornecimento de motores de avião para a China, isso não só terá um efeito negativo sério para a China, mas também para os EUA", explicou Wang Zhimin.

    Mas os danos para os EUA seriam mais graves, já que a China retaliaria, podendo perfeitamente adquirir motores a outros fabricantes, desenvolver suas próprias tecnologias e reduzir as encomendas de aviões Boeing.

    Os responsáveis da GE alegam que seus produtos têm sido fornecidos ao mercado chinês há muitos anos, pelo que a China, se quisesse, já teria começado a copiar a tecnologia há muito tempo.

    Para além disso "a produção de componentes para produtos de alta tecnologia [...] está dispersa por todo o mundo. A China, por exemplo, também produz componentes de aeronaves. Geralmente, apenas componentes-chave são produzidos no país de origem do fabricante", explicou Wang Zhimin.

    O especialista referiu ainda que, em um mundo globalizado, é impossível controlar o desenvolvimento tecnológico de outros países e que é uma questão de tempo até a China começar a produzir motores de qualidade.

    Se o embargo à venda dos motores fosse avante, tal somente significaria a perda de receitas por parte dos norte-americanos, concluiu Zhimin.

    Mas, segundo Trump escreveu em seu tweet, "Queremos vender produtos e mercadorias para a China e outros países. É isso o comércio". Caso contrário, "as encomendas irão para outro lugar. Como exemplo, eu quero que a China compre nossos motores a jato, os melhores do mundo", precisou o presidente norte-americano.

    Mais:

    'Convenceram Trump que estamos prestes a cair', diz chanceler iraniano
    Administração Trump é a mais arrogante e corrupta da história dos EUA, diz líder do Hezbollah
    'Acordo do Século' de Trump contraria interesses do Líbano, diz assessor do presidente libanês
    Tags:
    General Electric, comércio mundial, comércio exterior, comércio, China, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar