19:33 13 Julho 2020
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    Bolívia entra em nova crise política, após presidente interina Jeanine Áñez anunciar intenção de se candidatar à presidência da República. Partido do ex-presidente Evo Morales lidera as pesquisas de intenção de votos.

    Jeanine Áñez é alvo de críticas provenientes de todos os espectros políticos bolivianos e pelo menos um de seus ministros já renunciou, após presidente interina anunciar planos de se candidatar nas próximas eleições presidenciais na Bolívia.

    Anteriormente, a senadora conservadora, que se autoproclamou presidente da Bolívia após golpe de Estado contra o então mandatário Evo Morales, declarou que não tinha ambições eleitorais, e que o único objetivo de seu governo interino era garantir que a Bolívia conduzisse eleições transparentes.

    "A candidatura presidencial rompe com o papel histórico [de Jeanine Áñez] e com a credibilidade da transição", reagiu Carlos Mesa, candidato que, de acordo com o Tribunal Eleitoral boliviano, ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de outubro de 2019.

    "O que está em jogo é a imagem internacional do país e daqueles que lutaram com convicção democrática em defesa da soberania popular", concluiu Mesa.

    Durante o fim de semana, a membro do gabinete de Áñez, Roxana Lizárraga, renunciou ao cargo. Para ela, o gabinete já não tem "objetivo" e que, se a presidente interina iniciar campanha enquanto estiver no cargo, isso seria uma "traição à democracia".

    No domingo (28), Áñez pediu para que seus ministros renunciassem, para que fosse instaurado um "novo estágio na transição democrática".

    Em pronunciamento nesta sexta-feira (24), a presidente interina afirmou que, inicialmente, não tinha a intenção de concorrer à presidência, mas que, dada a ausência de candidatos que pudessem unificar o país, ela teria mudado de ideia.

    Pesquisas mostram que o partido de Evo Morales, Movimento ao Socialismo (MAS), lidera as intenções de votos. Os votos da oposição aparecem fragmentados entre diversas candidaturas diferentes.

    Jeanine Áñez posa para foto com criança em evento, após ter anunciado sua intenção de se candidatar à presidência da República, em 27 de janeiro de 2020
    © REUTERS / Manuel Claure
    Jeanine Áñez posa para foto com criança em evento, após ter anunciado sua intenção de se candidatar à presidência da República, em 27 de janeiro de 2020

    Áñez é bem avaliada dentre aqueles que participaram dos protestos, que culminaram no fim do quarto mandato de Evo Morales, reportou a Reuters.

    "Jeanine Áñez tem o direito de se candidatar, assim como qualquer outro boliviano", disse o professor Oscar Robles, em La Paz.

    No entanto, muitos discordam dessa afirmação. Outro aspirante ao posto de presidente da República e aliado do governo, Tuto Quiroga, declarou que a decisão de Áñez fere a credibilidade internacional do governo e coloca em risco o objetivo de organizar eleições livres.

    "Eu não concordo com a candidatura de Áñez. Isso retira a imparcialidade das eleições", disse Remberto López, taxista em La Paz. "O povo não quer mais fraude."

    O jornal local Los Tiempos também criticou a decisão de Áñez em editorial, instando a presidente interina a retirar a sua candidatura, uma vez que ela "transgrediu uma espécie de acordo tácito".

    O ex-presidente Evo Morales, que se encontra refugiado na Argentina, escreveu nas redes sociais que a candidatura de Áñez seria uma prova de que ele teria sido vítima de um golpe de Estado, reportou a Reuters.

    Retrato quebrado do ex-presidente boliviano Evo Morales no chão da sua casa privada em Cochabamba, na Bolívia
    © AP Photo /
    Retrato quebrado do ex-presidente boliviano Evo Morales no chão da sua casa privada em Cochabamba, na Bolívia

    Morales não será candidato nas eleições presidenciais de 2020, mas seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), apontou o ex-ministro da Economia, Luis Arce, para concorrer ao cargo.

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    Tags:
    Movimento ao Socialismo (MAS), golpe de Estado, Eleições na Bolívia, Bolívia
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