19:33 23 Janeiro 2020
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    6171
    Nos siga no

    Conflito armado na Colômbia pode reascender em 2020, caso militantes das FARC levem a cabo seu plano de impor pressão para que o governo negocie um novo acordo de paz.

    Conflitos armados e bombardeamentos podem voltar à ordem do dia na Colômbia, disse especialista em negociações Henry Acosta.

    O acordo negociado entre o governo colombiano e as FARC em 2016, que colocou fim ao conflito que vitimou mais de 260.000 pessoas, enfrenta diversos problemas.

    Por isso, aumenta o número de militantes das FARC que rejeitam a desmobilização e pressionam por mudanças constitucionais para modificar o status quo político e econômico.

    "É um risco considerável, porque [os dissidentes] disseram que não irão travar batalhas convencionais, mas partir para a estratégia de guerrilha urbana. Se não haverá batalha, haverá bombardeamentos em zonas urbanas", disse Acosta à Reuters.

    Desde a posse de Iván Duque Márquez, setores das FARC, que haviam abandonado a luta armada para se tornar um partido, ficaram insatisfeitos com a não implementação do acordo por parte do governo e decidiram voltar à luta armada.

    Ex-líder guerrilheiro das FARC, Seuxis Hernandez, na janela da matriz do novo partido das FARC, em Bogotá, em maio de 2019
    © AP Photo / Fernando Vergara
    Ex-líder guerrilheiro das FARC, Seuxis Hernandez, na janela da matriz do novo partido das FARC, em Bogotá, em maio de 2019

    Para Acosta, há indícios de que "2020 irá marcar o início das operações que [os dissidentes] estão anunciando". O negociador lamentou que a reintegração dos 13.000 ex-guerrilheiros na sociedade esteja sendo tão vagarosa.

    Os comandantes da facção dissidente das FARC, estimados em cerca de 2.500 combatentes, anunciaram coordenação com a guerrilha Exército de Liberação Nacional (ELN), cujas negociações de paz com o governo em 2016 não atingiram resultados.

    "A Colômbia está muito próxima de uma segunda guerra ou segundo conflito", afirmou o negociador de paz, dizendo que os alvos prioritários dos ataques devem ser propriedades de políticos ou empresas estatais.

    Acosta acrescentou estar disposto a abrir canais de comunicação entre o governo e os dissidentes e pediu às partes que evitem o aumento de tensões.

    "Não há necessidade de começar o derramamento de sangue para saber que é necessário sentar e negociar. Cada gota de sangue derramada é desnecessária. É recomendável e necessário que o Estado e a liderança dessa nova dissidência se sentem para conversar."

    Em 2016, o governo da Colômbia e as FARC assinaram acordo de paz. Em 2017, a guerrilha iniciou o processo de desmobilização e se transformou em um partido político. Nos últimos anos, no entanto, as FARC denunciam que assassinatos de seus ex-membros pelas forças de segurança do Estado são recorrentes. Em setembro de 2019, grupo do novo partido anunciou a sua dissidência e retorno à luta armada.

    Mais:

    Ex-número 2 das FARC anuncia retorno à luta armada na Colômbia
    Violência: membros das FARC seguem morrendo na Colômbia após acordo, diz ONU
    Caracas responsabiliza governo colombiano por rearmamento de ex-membros das FARC
    Tags:
    processo de paz, ELN, FARC, Colômbia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar