08:53 19 Setembro 2020
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    Conflito armado na Colômbia pode reascender em 2020, caso militantes das FARC levem a cabo seu plano de impor pressão para que o governo negocie um novo acordo de paz.

    Conflitos armados e bombardeamentos podem voltar à ordem do dia na Colômbia, disse especialista em negociações Henry Acosta.

    O acordo negociado entre o governo colombiano e as FARC em 2016, que colocou fim ao conflito que vitimou mais de 260.000 pessoas, enfrenta diversos problemas.

    Por isso, aumenta o número de militantes das FARC que rejeitam a desmobilização e pressionam por mudanças constitucionais para modificar o status quo político e econômico.

    "É um risco considerável, porque [os dissidentes] disseram que não irão travar batalhas convencionais, mas partir para a estratégia de guerrilha urbana. Se não haverá batalha, haverá bombardeamentos em zonas urbanas", disse Acosta à Reuters.

    Desde a posse de Iván Duque Márquez, setores das FARC, que haviam abandonado a luta armada para se tornar um partido, ficaram insatisfeitos com a não implementação do acordo por parte do governo e decidiram voltar à luta armada.

    Ex-líder guerrilheiro das FARC, Seuxis Hernandez, na janela da matriz do novo partido das FARC, em Bogotá, em maio de 2019 (imagem referencial)
    © AP Photo / Fernando Vergara
    Ex-líder guerrilheiro das FARC, Seuxis Hernandez, na janela da matriz do novo partido das FARC, em Bogotá, em maio de 2019 (imagem referencial)

    Para Acosta, há indícios de que "2020 irá marcar o início das operações que [os dissidentes] estão anunciando". O negociador lamentou que a reintegração dos 13.000 ex-guerrilheiros na sociedade esteja sendo tão vagarosa.

    Os comandantes da facção dissidente das FARC, estimados em cerca de 2.500 combatentes, anunciaram coordenação com a guerrilha Exército de Liberação Nacional (ELN), cujas negociações de paz com o governo em 2016 não atingiram resultados.

    "A Colômbia está muito próxima de uma segunda guerra ou segundo conflito", afirmou o negociador de paz, dizendo que os alvos prioritários dos ataques devem ser propriedades de políticos ou empresas estatais.

    Acosta acrescentou estar disposto a abrir canais de comunicação entre o governo e os dissidentes e pediu às partes que evitem o aumento de tensões.

    "Não há necessidade de começar o derramamento de sangue para saber que é necessário sentar e negociar. Cada gota de sangue derramada é desnecessária. É recomendável e necessário que o Estado e a liderança dessa nova dissidência se sentem para conversar."

    Em 2016, o governo da Colômbia e as FARC assinaram acordo de paz. Em 2017, a guerrilha iniciou o processo de desmobilização e se transformou em um partido político. Nos últimos anos, no entanto, as FARC denunciam que assassinatos de seus ex-membros pelas forças de segurança do Estado são recorrentes. Em setembro de 2019, grupo do novo partido anunciou a sua dissidência e retorno à luta armada.

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    Tags:
    processo de paz, ELN, FARC, Colômbia
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